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Trabalho intermitente ganha força no foodservice como alternativa à escala 6×1

Enquanto o debate sobre o fim da escala 6×1 avança no cenário político, o setor de alimentação fora do lar já aplica soluções previstas na Consolidação das Leis do Trabalho (CLT) para otimizar a operação. A jornada intermitente tem se consolidado como uma ferramenta estratégica para bares e restaurantes que precisam lidar com a flutuação de demanda, especialmente em dias de pico.

Diferente do contrato tradicional, o modelo intermitente permite que o profissional seja convocado apenas quando há necessidade, com antecedência mínima de três dias. O trabalhador tem a liberdade de aceitar ou recusar o chamado sem punições, podendo manter vínculos com múltiplos contratantes.

Eficiência operacional e redução de turnover Casos reais mostram que a modalidade traz resultados diretos na gestão. Em Itapeva (SP), a churrascaria Braseiro Steakhouse utiliza o modelo há seis meses para suprir o aumento de fluxo entre sexta e domingo. O proprietário, Rafael de Costa, destaca que a medida evita a ociosidade da equipe fixa durante a semana e elimina os riscos de passivos trabalhistas antes associados aos “freelancers”.

Já em Viçosa (MG), o restaurante Tavola Costelaria registrou uma queda de 60% no turnover após adotar a jornada intermitente para todo o seu quadro de 18 funcionários. Segundo o empresário Franklin Abreu, a possibilidade de o colaborador escolher seus dias de trabalho reduziu drasticamente o número de faltas e atestados médicos.

Visão do Setor Para Paulo Solmucci, presidente da Abrasel (Associação Brasileira de Bares e Restaurantes), o Brasil já possui mecanismos legais para quem busca jornadas reduzidas. “Acreditamos que o país já possui uma solução para quem deseja trabalhar menos horas. A jornada intermitente empodera o trabalhador, permitindo que ele decida quanto e quando irá trabalhar”, afirma.

O setor ressalta ainda que a remuneração neste modelo pode ser até 50% superior à da jornada regular, dado que os chamados costumam ocorrer em períodos de alta demanda, incidindo sobre horas extras e adicionais.

Cuidados Jurídicos Especialistas alertam, contudo, para a necessidade de rigor formal. Marcelo Marani, CEO da plataforma Donos de Restaurantes, reforça que todas as convocações devem ser documentadas (via WhatsApp ou e-mail) para garantir segurança jurídica. Além disso, o modelo não é compatível com profissionais que estejam recebendo seguro-desemprego ou outros benefícios governamentais impeditivos.

Com um crescimento de 60 vezes nas contratações deste tipo entre 2017 e 2024, a jornada intermitente se firma como o caminho do setor para equilibrar produtividade e qualidade de vida.

Fonte: Diário do Comércio

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