A nova rodada de mudanças tributárias que entrou em vigor em abril de 2026 começa a redesenhar o cenário de custos do agronegócio brasileiro — e os efeitos já acendem um alerta que vai além do campo, chegando também ao foodservice.
A partir deste mês, fertilizantes, sementes e defensivos agrícolas deixaram de contar com alíquota zero de PIS e Cofins. Na prática, insumos essenciais passaram a ser tributados, elevando diretamente o custo de produção agrícola.
Dependendo do regime tributário, a carga adicional pode chegar a até 10% da alíquota cheia. Em um setor altamente dependente desses insumos — especialmente em culturas como soja, milho e algodão — o impacto tende a ser imediato e relevante ao longo de toda a cadeia.
Ao mesmo tempo, houve aumento do Funrural, tributo que incide sobre a receita bruta da comercialização. Para produtores pessoa física, a alíquota passou de 1,3% para 1,43%; para pessoas jurídicas, de cerca de 2,05% para 2,23%.
Esse movimento acontece em um momento já pressionado por variáveis externas, como câmbio, custos internacionais de fertilizantes e instabilidade geopolítica — fatores que, somados, reduzem a previsibilidade das safras e comprimem margens.
Para além do campo: o efeito no foodservice
Embora o impacto inicial recaia sobre o produtor, a lógica de repasse ao longo da cadeia é praticamente inevitável. Com custos mais altos na origem, o aumento tende a chegar à indústria, ao varejo e, por fim, ao foodservice.
Para operadores de bares e restaurantes, isso pode significar:
- pressão adicional nos preços de insumos básicos
- maior volatilidade nos custos de cardápio
- necessidade de revisão constante de margens
- ajustes mais frequentes de preços ao consumidor
Cadeias mais dependentes de commodities agrícolas — como proteínas, grãos e óleos — devem sentir esse efeito com mais intensidade.
Eficiência deixa de ser diferencial e vira necessidade
Diante desse novo cenário, a resposta do setor produtivo tem girado em torno de eficiência: uso mais racional de insumos, adoção de tecnologias e revisão de custos operacionais.
Essa mesma lógica tende a se intensificar no foodservice, onde gestão de desperdício, engenharia de cardápio e negociação com fornecedores ganham ainda mais protagonismo.
O que muda no radar do setor
Mais do que um ajuste pontual, a mudança sinaliza uma inflexão na política de incentivos ao agronegócio, historicamente marcada por regimes especiais.
Para o ecossistema do foodservice, o tema passa a exigir atenção contínua. Custos agrícolas deixam de ser uma variável distante e passam a influenciar diretamente decisões estratégicas — do pricing ao posicionamento de marca.
No Portal Foodbiz, seguimos acompanhando como essas mudanças estruturais no campo impactam a dinâmica de custos, consumo e operação dentro do foodservice brasileiro.
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Fonte: Compre Rural







