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Brasil conquista primeiras 3 estrelas Michelin

Foto: Tadeu Brunnelli/Evvai

O Brasil acaba de atingir um marco simbólico na gastronomia global — e isso muda o lugar do país no mapa da alta cozinha.

Pela primeira vez, restaurantes brasileiros (e de toda a América Latina) conquistam três estrelas Michelin, a mais alta distinção do guia. O reconhecimento foi dado ao Evvai, do chef Luiz Filipe Souza, e ao Tuju, comandado por Ivan Ralston, ambos em São Paulo.

O anúncio aconteceu no dia 14 de abril, durante cerimônia no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro, e consolida um movimento que já vinha ganhando força nos últimos anos: o amadurecimento da gastronomia brasileira como expressão autoral, técnica e competitiva em escala internacional.

Mais do que um prêmio, o feito reposiciona o Brasil no circuito global — já que, até então, nenhum restaurante latino-americano havia alcançado esse nível. No Guia Michelin, três estrelas indicam uma experiência “excepcional, que justifica a viagem por si só”.

Dois caminhos, uma mesma sofisticação

Apesar de dividirem o topo da premiação, Evvai e Tuju seguem propostas bastante distintas — o que reforça a diversidade criativa da cena brasileira.

No Evvai, Luiz Filipe Souza trabalha uma cozinha que conecta Brasil e Itália em menus degustação altamente técnicos, com atenção minuciosa a textura, temperatura e construção de sabor.

Já no Tuju, Ivan Ralston aposta em uma abordagem contemporânea guiada pelo território e pela sazonalidade. Os menus mudam ao longo do ano e refletem ingredientes, clima e ciclos naturais, criando uma experiência dinâmica e profundamente conectada ao ambiente.

O ponto em comum é a consistência: ambos os restaurantes entregam uma narrativa autoral sólida, com identidade clara — algo cada vez mais valorizado no cenário global.

Outros destaques reforçam a força da cena

Além da conquista inédita das três estrelas, o guia manteve o reconhecimento de casas já consolidadas. D.O.M. (Alex Atala), Lasai (Rafa Costa e Silva) e Oro (Felipe Bronze) seguem com duas estrelas, enquanto o restaurante Madame Olympe, de Claude Troisgros, passa a integrar a lista com uma estrela.

Com isso, o Brasil soma agora 19 restaurantes estrelados — um número que indica não só crescimento, mas também maior consistência na entrega gastronômica.

Na categoria Bib Gourmand, que valoriza a boa relação entre qualidade e preço, o movimento também é relevante. Seis novos restaurantes entraram na lista, ampliando a diversidade de formatos e propostas reconhecidas pelo guia — de casas mais autorais a operações com perfil mais acessível.

O que isso sinaliza para o foodservice

O avanço do Brasil no Guia Michelin vai além do reconhecimento individual de chefs e restaurantes. Ele aponta para tendências importantes:

– valorização da identidade local como diferencial competitivo
– amadurecimento técnico das cozinhas brasileiras
– fortalecimento da cadeia de fornecedores e ingredientes nacionais
– crescente interesse internacional pelo país como destino gastronômico

Para o foodservice, isso abre espaço para reflexões estratégicas — especialmente sobre posicionamento, experiência e construção de marca.

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