O mercado de bebidas alcoólicas passa por uma transformação que vai além do portfólio e da comunicação. Se antes campanhas do setor reforçavam estereótipos femininos, hoje a presença de mulheres em cargos de liderança tem ajudado a redesenhar a forma como marcas de cerveja, destilados e drinks prontos se conectam com seus consumidores.
À frente de empresas como Estrella Galicia, Grupo Heineken, Ambev, Cia Müller de Bebidas, Diageo e Lamas Destilaria, executivas vêm assumindo papéis estratégicos em um segmento marcado por tradição, inovação, cultura e experiência.
Para Juliana Aguiar, diretora-geral da Estrella Galicia no Brasil, a categoria é dinâmica e conectada a momentos de socialização. Com trajetória em empresas como Coca-Cola, Shell/Raízen, L’Oréal e PepsiCo, a executiva destaca a importância de equilibrar resultado, cultura, pessoas e consumidor.
No Grupo Heineken, Cecília Bottai Mondino, vice-presidente de marketing no Brasil, reforça que bebidas alcoólicas estão ligadas a ocasiões, encontros e memórias. Com passagens por Danone e BRF, ela defende uma liderança baseada em ambição, coragem e humanidade.
Na Budweiser Brasil, Mariana Santos tem o desafio de traduzir uma marca global para o contexto brasileiro. A executiva, que construiu carreira dentro da Ambev, atua para conectar a marca a territórios como esporte, música e entretenimento, mantendo sua relevância entre diferentes gerações.
A relação entre tradição e inovação também aparece na atuação de Marina Flávia, head de marketing e trade marketing da Cia Müller de Bebidas. Responsável por marcas como a Cachaça 51, a executiva destaca o desafio de manter marcas históricas relevantes diante das mudanças no comportamento do consumidor.
Já Thais Soares, diretora de marketing de Brutal Fruit e Flying Fish, lidera marcas que chegam ao mercado com propostas voltadas a novas ocasiões de consumo. Para ela, diversidade e colaboração são fundamentais para ampliar repertórios, estimular criatividade e gerar resultados.
Na Diageo, Adriana Nogueira, head de marketing de vodka, gin e cachaça, vê sua trajetória como parte de uma geração de transição. A executiva afirma que sua missão é abrir caminhos para novas lideranças femininas e criar oportunidades para que mais mulheres expressem seu potencial no setor.
A história de Luciana Lamas, sócia e diretora de comunicação e branding da Lamas Destilaria, mostra outro lado da transformação. A marca mineira de whisky nasceu como um projeto familiar e ganhou projeção internacional, com premiações, exportações e reconhecimento para o whisky brasileiro.
Apesar das diferentes trajetórias, as executivas apontam para um mesmo movimento: o mercado de bebidas está cada vez mais atento à construção de marca, à conexão cultural, à diversidade de experiências e à necessidade de acompanhar novos hábitos de consumo.
No foodservice, esse movimento também é relevante. Bebidas seguem como parte essencial da experiência em bares, restaurantes, eventos e operações gastronômicas, influenciando ocasiões de consumo, posicionamento de marcas e estratégias de relacionamento com o público.
A liderança feminina no setor reforça uma mudança importante: mais do que vender produtos, as marcas buscam criar conexões reais, ampliar repertórios e construir experiências alinhadas ao comportamento dos consumidores atuais.
Conteúdo adaptado de Meio & Mensagem.







