A Vinícola Guaspari, conhecida por seus vinhos produzidos em Espírito Santo do Pinhal, no interior de São Paulo, está ampliando sua atuação para além da uva. A empresa passou a investir também na produção de chás, reforçando uma tendência que aproxima bebidas não alcoólicas da alta gastronomia.
A iniciativa acontece por meio da Infusiva, marca criada em 2019 por Juliana Zannini, tea sommelier e blender, e Henrique Campos. A empresa trabalha com blends 100% naturais e plantas resgatadas com mais de 60 anos, desenvolvendo chás pensados para harmonizações gastronômicas.
A proposta segue uma lógica semelhante à do vinho. Em vez de tratar o chá apenas como uma bebida para o fim da refeição, a marca explora atributos como acidez, textura, taninos, aromas e persistência em boca. Com isso, os chás passam a ocupar espaço em menus completos, do aperitivo à sobremesa.
O movimento acompanha a expansão do enoturismo da Guaspari, que agora reúne vinhos, café, azeite e chás em uma experiência conectada ao território. A estratégia amplia a narrativa da marca e reforça o potencial de bebidas não alcoólicas dentro de experiências premium.
Um dos destaques é o Sparkling Tea da Infusiva, bebida gaseificada à base de chá branco com notas de limão-siciliano e abacaxi fresco. A proposta busca atender consumidores que desejam participar do ritual do brinde sem necessariamente consumir álcool.
A aposta dialoga com uma mudança mais ampla no mercado. O crescimento das categorias low e no-alcohol tem aberto espaço para bebidas com maior complexidade sensorial, identidade gastronômica e posicionamento sofisticado. Nesse contexto, o chá surge como alternativa para restaurantes, bares e marcas que buscam ampliar suas cartas sem abrir mão da experiência.
O avanço da categoria também já aparece no foodservice. Os chás da Infusiva estão presentes na carta do Mocotó, em São Paulo, um dos restaurantes mais reconhecidos do país, sinalizando maior abertura da gastronomia brasileira para harmonizações com chá.
A entrada da Guaspari nesse mercado mostra como produtores tradicionais podem diversificar seus portfólios a partir de novas ocasiões de consumo. Mais do que uma extensão de marca, a aposta nos chás reforça o potencial das bebidas não alcoólicas como protagonistas em experiências gastronômicas.
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