A Di Paolo, rede gaúcha conhecida pela sequência de galeto e massas, está ampliando sua atuação com novos investimentos e mirando um novo patamar de faturamento. Depois de encerrar 2025 com receita de R$ 170 milhões, a empresa projeta ultrapassar os R$ 200 milhões em 2026, impulsionada pela abertura de novas unidades e pela entrada mais estruturada no universo do vinho.
O movimento mais simbólico dessa nova fase é a criação da vinícola Paulo Geremia, em Bento Gonçalves (RS), na Serra Gaúcha. O projeto recebeu investimento de R$ 12 milhões, incluindo obras e compra de equipamentos importados da Europa, e reforça uma conexão antiga entre a marca e o consumo de vinhos, que já fazem parte da experiência oferecida nas casas da rede.
Mesmo antes da produção própria começar oficialmente, a Di Paolo já comercializa rótulos exclusivos em seus restaurantes. Até aqui, a elaboração e o envase vinham sendo realizados em parceria com a vinícola Valmarino, em Pinto Bandeira. Agora, com estrutura própria, a proposta é verticalizar parte dessa operação e fortalecer ainda mais a identidade da marca.
Os primeiros vinhos produzidos na nova vinícola devem chegar ao mercado em cerca de dois anos. A operação será abastecida inicialmente com uvas adquiridas de produtores da região, enquanto um vinhedo próprio, em área já comprada pela empresa, deve começar a gerar safras a partir de 2031. A expectativa é obter também o selo de Denominação de Origem (DO) do Vale dos Vinhedos.
Quando estiver em pleno funcionamento, a vinícola terá capacidade para produzir 30 mil litros por ano. O espaço também foi planejado para ampliar as frentes de negócio: contará com área para eventos de até 100 pessoas e restaurante com capacidade para 160 clientes, desta vez com cardápio à la carte que combina referências da culinária da Serra Gaúcha com propostas contemporâneas.
A expansão da Di Paolo segue paralelamente. Hoje, a rede soma 22 unidades distribuídas em cinco estados, sendo menos da metade delas no Rio Grande do Sul. O crescimento está concentrado especialmente fora do estado, com presença em Santa Catarina, Paraná, São Paulo e Rio de Janeiro.
A próxima inauguração será em Brasília, ainda em 2026. A nova operação está recebendo aporte de R$ 8,5 milhões, terá mais de mil metros quadrados e capacidade para 220 clientes. A empresa também prevê abrir uma nova unidade da marca Dipa em Gramado, modelo mais enxuto e voltado a pratos à la carte, com investimento de R$ 2 milhões. Além disso, a rede monitora oportunidades em Goiás e no Espírito Santo.
A estratégia de expansão da Di Paolo é baseada apenas em unidades próprias, sempre com sócios-operadores na gestão local. Segundo a empresa, um estudo recente apontou potencial para chegar a 90 lojas com a estrutura atual do negócio.
Outro pilar importante da operação está na retaguarda industrial. A companhia mantém uma estrutura fabril em Bento Gonçalves para abastecer os restaurantes e também produzir itens de marca própria vendidos no varejo, como massas, caldos, pizzas e sobremesas. Esse modelo ajuda a sustentar um dos diferenciais da rede: a oferta de pratos preparados e finalizados sob demanda, com reposição livre, sem abrir mão de padronização e logística diária.
Mais do que ampliar presença física, a Di Paolo sinaliza uma estratégia de marca que combina experiência, verticalização e diversificação de receita. Ao investir em produção própria de vinhos e em novos formatos de operação, a empresa reforça seu posicionamento e busca capturar novas oportunidades dentro e fora do salão.
Fonte: Exame







