Com o aumento das notificações de intoxicação por metanol no Brasil — mais de 200 até o momento, segundo o Ministério da Saúde — começaram a circular nas redes sociais diversos boatos envolvendo marcas conhecidas. Um dos mais recentes afirma que a Coca-Cola teria sido contaminada pela substância. A informação, no entanto, é falsa.
O rumor surgiu após a circulação de um vídeo gerado por Inteligência Artificial (IA), no qual uma versão falsificada da jornalista Renata Vasconcellos alertava sobre supostos riscos da bebida e até do leite. A Coca-Cola, por meio de sua assessoria, negou qualquer ligação com os casos e reforçou que não há investigação em curso sobre a empresa.
“Todas as nossas bebidas seguem rigorosos padrões de qualidade e segurança e são 100% seguras”, informou a companhia.
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O que se sabe sobre os casos de metanol
Segundo a Anvisa, todas as notificações confirmadas até agora envolvem bebidas destiladas, como cachaça, vodca e tequila — nenhuma relacionada a refrigerantes ou bebidas não alcoólicas.
O metanol é um produto químico industrial, usado em alguns processos de fabricação, e pode ser confundido com o etanol devido ao sabor levemente adocicado. Em bebidas adulteradas, o risco é maior porque a substância pode se misturar ao álcool etílico sem alterar significativamente o sabor.
No entanto, falsificar refrigerantes seria muito mais difícil. Por serem bebidas carbonatadas, exigem equipamentos específicos para o processo de gaseificação. Além disso, a Coca-Cola e outras marcas do setor possuem sistemas de controle de qualidade rígidos e fiscalização contínua por órgãos como o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) e a Vigilância Sanitária.
A Associação Brasileira das Indústrias de Refrigerantes e de Bebidas Não Alcoólicas (ABIR) também destaca que todos os lotes são monitorados, passando por auditorias internas e externas, reforçando o compromisso do setor com a qualidade, rastreabilidade e segurança alimentar.
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Por que a embalagem também importa
A maioria dos casos de contaminação ocorreu em bebidas vendidas em garrafas de vidro, muitas vezes reutilizadas de forma irregular por fábricas clandestinas. Refrigerantes, por outro lado, são predominantemente comercializados em latas de alumínio, cuja falsificação é mais complexa e cara, exigindo conhecimento técnico e maquinário específico.
Como explicou Antonio Cabral, coordenador da pós-graduação em Engenharia de Embalagem do Instituto Mauá de Tecnologia, o processo de fechamento de latas requer alta precisão, o que torna o risco de adulteração praticamente nulo.
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Como ocorre a contaminação
De acordo com a principal linha de investigação da Polícia Civil, o metanol estaria sendo usado por fabricantes ilegais para higienizar garrafas reutilizadas, antes de envasar bebidas falsificadas de baixo custo. Como o metanol não é vendido legalmente no Brasil, há suspeitas de contrabando da substância.
O Instituto de Criminalística da Polícia Científica analisa os lotes apreendidos verificando selo, rótulo, lacre e autenticidade dos produtos — um processo fundamental para rastrear a origem das bebidas contaminadas.
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O que fazer agora
Para garantir segurança, especialistas recomendam que os consumidores priorizem bebidas enlatadas e evitem a compra de destilados de origem duvidosa.
A sommelière e professora Marbênia Gonçalves reforça que o problema atual está concentrado nos destilados e que o consumo de refrigerantes segue seguro.
O Ministério da Saúde também orienta que o público evite consumir bebidas alcoólicas sem procedência comprovada enquanto as investigações estão em andamento.
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Fonte: O Povo






