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Franquia em aeroportos: alto investimento, alto retorno

Abrir uma franquia dentro de um aeroporto pode parecer um desafio logístico e financeiro — e realmente é. Os custos de operação podem ser até quatro vezes maiores do que em outros pontos de venda, especialmente devido ao aluguel e mão de obra. Ainda assim, o retorno financeiro pode superar em até 30% os resultados de uma unidade em shopping.

Com o crescimento da movimentação aérea no Brasil e o aumento do tempo médio de permanência dos passageiros nos terminais, aeroportos se consolidam como hubs de conveniência, alimentação e experiência de marca. Mas vale a pena investir nesse tipo de operação?

As vantagens de operar dentro de aeroportos

Segundo o CEO da Farmais, Ricardo Kunimi, os aeroportos oferecem um público cativo e com demandas imediatas — desde medicamentos de uso contínuo até itens de conveniência e higiene. “Além da visibilidade, o aeroporto é uma vitrine qualificada, onde a marca é percebida por consumidores de todas as regiões do país e até do exterior”, afirma.

O público de maior poder aquisitivo também é um diferencial. Marcas como o Divino Fogão apostam nesse perfil de consumo para oferecer alternativas além do fast food tradicional, mantendo ticket médio mais alto.

Já o Rei do Mate, com 23 unidades em aeroportos, destaca os picos de demanda e o fluxo constante como motores de rentabilidade. “O ticket médio é superior ao das lojas de rua e shopping”, comenta o CEO Antônio Carlos Nasraui.

Quanto custa abrir uma franquia em aeroporto

Os valores variam conforme o segmento, o aeroporto e o tamanho da operação. A Casa Bauducco, por exemplo, estima investimento médio de R$ 700 mil, com faturamento anual entre R$ 2 milhões e R$ 4 milhões.

Na Nutty Bavarian, uma franquia pode ser aberta com R$ 114 mil, enquanto o Divino Fogão exige aportes de até R$ 1,7 milhão. No caso da Dudalina, o investimento parte de R$ 600 mil, com rentabilidade entre 12% e 16%.

Apesar do alto custo inicial, o potencial de retorno é expressivo. O Divino Fogão, por exemplo, reporta 30% mais faturamento em aeroportos em comparação a outras unidades.

Custos e operação: o que muda

Os aluguéis são o principal peso — representando até 20% do faturamento em alguns casos — e podem ser até quatro vezes superiores aos de shopping centers. Além disso, as lojas funcionam em horários ampliados, o que eleva o custo de mão de obra em até 30%.

Outros fatores, como segurança, controle logístico e reabastecimento restrito, também demandam planejamento detalhado. “O estoque precisa ser milimetricamente calculado, pois as janelas de entrega são limitadas”, explica Kunimi, da Farmais.

Nem toda franquia se adapta

Segundo a Associação Brasileira de Franchising (ABF), nem todos os modelos de negócio funcionam bem em aeroportos. Operações rápidas e de conveniência, como cafeterias, fast food, farmácias e presentes, tendem a ter melhor desempenho.

O segredo está em ajustar portfólio, preços e atendimento. Marcas como Farmais e Dudalina adaptam o mix de produtos ao comportamento do público em trânsito — priorizando praticidade, portabilidade e atendimento bilíngue.

Um modelo de alto risco, mas também de alto potencial

Instalar uma franquia em aeroporto exige preparo operacional e financeiro, mas oferece visibilidade única e alto volume de vendas. A concentração de um público premium, com tempo ocioso e disposição para consumir, cria um cenário propício para negócios de alimentação, conveniência e lifestyle.

Como resume Renata Rouchou, da ABF:

“No aeroporto, o segredo está na organização. Custos e desafios são altos, mas o retorno vem para quem sabe transformar o fluxo intenso em experiência de marca.”

Fonte: economia.uol

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