Em entrevista à JP News Fortaleza, no programa Conexões com Ricardo Bezerra, Teresinha, representante do Grupo São Geraldo, compartilhou a trajetória de uma das marcas mais queridas do Nordeste, conhecida pelo icônico refrigerante de caju.
Fundado em 1961 por José Amâncio de Souza, o grupo nasceu a partir da aquisição de uma antiga fábrica de bebidas em um tempo em que o município sequer dispunha de energia elétrica. Com a chegada da eletrificação, foi possível dar início à gaseificação da cajuína — dando origem ao refrigerante que se tornaria símbolo da região do Cariri. “Ele começou com uma máquina manual e, aos poucos, foi adquirindo equipamentos e modernizando a produção”, relembrou Teresinha durante a entrevista.
O que começou com 22 funcionários transformou-se em uma indústria robusta, que hoje emprega diretamente 724 pessoas e produz cerca de 75 milhões de litros por ano. Apenas em 2024, o faturamento do grupo alcançou R$ 316 milhões.
Com o falecimento do fundador, em 2002, a sucessão foi conduzida por seus sobrinhos e outros membros da família, que implantaram um modelo de governança estruturado em cinco holdings. “Sempre colocamos a empresa em primeiro lugar. A governança foi essencial”, destacou Teresinha, ao enfatizar o equilíbrio entre profissionalização e respeito ao legado de José Amâncio.
Além da forte conexão com suas raízes, a São Geraldo também aposta na inovação. Entre os destaques está a coleção de latas temáticas com ícones culturais nordestinos, que rendeu à empresa o prestigiado prêmio internacional iF Design Award, na Alemanha. Mais recentemente, a marca atendeu a uma antiga demanda dos consumidores ao lançar a versão zero açúcar do refrigerante de caju, desenvolvida após quase dois anos de testes.
Segundo Teresinha, a qualidade é um valor inegociável. Com maquinário importado da Alemanha e da Itália, a linha de produção é totalmente automatizada, e os ingredientes passam por rigoroso controle laboratorial. “Nosso padrão é equivalente ao das maiores indústrias do setor”, afirmou.
A marca tem forte presença no Ceará e em outros estados do Nordeste, mas sua expansão já chegou ao Sudeste. Em São Paulo, por exemplo, o refrigerante de caju é vendido diretamente em mais de 90 pontos comerciais. “Nosso produto é carregado de identidade e afeto. Para muitos, representa a memória afetiva das férias no Nordeste”, disse.
Os planos futuros incluem o lançamento de novos sabores e a consolidação da marca em âmbito nacional. E mesmo com propostas de aquisição, Teresinha garantiu que a empresa continuará sendo familiar: “A São Geraldo é um patrimônio de Juazeiro e do nosso povo. Trabalhamos com amor e compromisso para manter essa história viva.”
Fonte: GC Mais







