A Itaueira Agropecuária ultrapassou a marca de R$ 500 milhões em faturamento e, para sustentar um novo ciclo de crescimento, levou o tradicional “melão da redinha” ao mercado financeiro da Faria Lima. A produtora de frutas do Nordeste concluiu recentemente uma captação de R$ 150 milhões no mercado de capitais e se prepara para avançar a partir de 2027, após um período intenso de investimentos.
Segundo reportagem do AgFeed, a empresa — dona da marca Rei Alimentos — encerrou 2024 com faturamento de R$ 480 milhões e estima ter superado os R$ 500 milhões no ano passado. A Itaueira iniciou suas atividades no começo dos anos 1980, no Piauí, com a produção de caju, e passou a cultivar melão a partir de 1999, cultura que se tornou o principal negócio do grupo familiar.
Em entrevista ao AgFeed, o diretor administrativo e financeiro da companhia, José Luis Prado, explica que 2026 será um ano voltado à geração de caixa e à rentabilidade, em meio a um cenário de juros elevados. A estratégia é criar bases sólidas para um novo ciclo de crescimento operacional a partir de 2027.
A identidade do “melão da redinha”, hoje amplamente reconhecida no mercado, surgiu ainda nos primeiros anos da produção. A solução — embalar duas ou três frutas em redes identificadas com a marca — ajudou a contornar a percepção de que os melões menores teriam menos sabor, fortalecendo o posicionamento do produto no varejo.
Atualmente, a Itaueira opera unidades produtivas no Piauí, Ceará e Bahia, além de uma nova operação em Morada Nova (CE), iniciada no ano passado. De acordo com a empresa, a diversificação geográfica ajuda a reduzir riscos climáticos e evita rupturas no fornecimento.
A reportagem do AgFeed destaca ainda que o grupo possui cerca de 20 mil hectares de terras próprias, com 3 mil hectares dedicados ao cultivo de melão e melancia. Em 2024, foram comercializadas aproximadamente 85 mil toneladas dessas frutas. O portfólio inclui também pimentões, mel, sucos e a produção de camarão, que deve chegar em breve ao varejo sob a marca Rei.
A entrada no mercado de capitais marcou um novo momento da empresa. A Itaueira captou R$ 100 milhões por meio da emissão de Notas Promissórias Comerciais, coordenada pela Caixa Econômica Federal, e outros R$ 50 milhões via CPR-F, em operação liderada pelo Itaú BBA — a primeira emissão pública da companhia. O objetivo, segundo José Luis Prado, foi alongar o perfil da dívida e criar um colchão de liquidez para enfrentar a volatilidade do cenário macroeconômico.
Hoje, a maior parte da produção é destinada ao mercado interno, mas a empresa também está retomando as exportações, com foco na União Europeia, Reino Unido, Canadá e Oriente Médio.







