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Natal da proteína: como a MBRF amplia presença nas ceias

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A MBRF, empresa formada pela união entre Marfrig e BRF, projeta um fim de ano marcado pela força das proteínas nas mesas brasileiras. Para a companhia, a temporada de festas é uma oportunidade estratégica para reforçar marcas tradicionais — como Sadia e Perdigão — e acelerar o plano de ampliar participação no mercado doméstico.

Durante encontro com jornalistas em São Paulo, Marcos Molina, fundador da Marfrig e presidente do conselho da MBRF, destacou que, embora apenas 25% da receita venha do Brasil, a empresa pretende crescer justamente nas ocasiões que mobilizam consumo de aves sazonais, como o Natal.

Portfólio reforçado para a temporada

A companhia estima deter 75% do mercado de peru e 60% em aves especiais, categorias diretamente associadas às celebrações de fim de ano. Para ampliar essa presença, a Perdigão recebeu novos cortes especiais na linha Na Brasa, voltada para consumidores que preferem um clima mais próximo do churrasco nas festas.

Segundo a MBRF, os consumidores de suas marcas hoje se dividem em três perfis:

  • os tradicionais, que preferem manter pratos e marcas já conhecidos;
  • os inovadores, que buscam novas experiências;
  • os simplificadores, que procuram praticidade sem perder qualidade.

E, de acordo com a empresa de pesquisa Scoop, o grupo dos tradicionais cresceu desde a pandemia — um movimento que favorece categorias como peru, chester e cortes clássicos de fim de ano.

Sinergias que começam a aparecer

A integração entre as operações de Marfrig e BRF, aprovada pelo Cade em 2025, tem resultado em ganhos relevantes, especialmente em logística, exportações e força comercial. A meta é capturar 60% das sinergias previstas — R$ 1 bilhão — até 2026.

Letícia Vaccaro, Gerente Executiva de Relações com Investidores, afirma que grande parte desses ganhos já estava mapeada antes da fusão: “A prioridade agora é manter e capturar as sinergias”.

Na prática, a eficiência operacional já cresceu. Segundo Manoel Martins, Vice-Presidente de Mercados Brasil e Marketing, a taxa de atendimento de pedidos da antiga BRF passou de 68% em 2022 para até 94% este ano. A meta para 2026 é chegar a 96%.

Expansão internacional e diversificação

Mesmo com foco renovado no Brasil, o mercado externo continua sendo o principal motor da MBRF, representando três quartos das receitas. A operação halal, o portfólio nos Estados Unidos — onde a National Beef responde por parte relevante do negócio — e a retomada das exportações de frango brasileiro para a China formam os pilares da estratégia global.

A Ásia, por exemplo, já responde por 17% da receita da empresa e deve ganhar mais importância com o retorno da habilitação para embarque de itens como meio da asa e pé de frango, cortes que têm menor demanda no mercado interno.

Nos EUA, a National Beef segue operando em um cenário de rebanho bovino historicamente baixo, o que mantém os preços elevados no abate e impacta custos ao longo da cadeia.

Desafios recentes e expectativas

No terceiro trimestre, a MBRF registrou lucro líquido de R$ 94 milhões — queda de 62% frente ao mesmo período do ano anterior — influenciado por custos maiores de insumos como milho e óleo de soja. Ainda assim, o Ebitda consolidado ficou em R$ 3,5 bilhões, 15% acima do trimestre anterior.

A empresa espera uma recuperação mais forte nos próximos meses com o retorno da China e com a consolidação das sinergias operacionais.

Como disse o CEO Miguel Gularte, a habilitação chinesa deve acelerar a operação “até além do que prevíamos inicialmente”.


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Conteúdo originalmente publicado pela Bloomberg Línea

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