A Páscoa, uma das datas mais relevantes para o mercado de chocolates, já movimenta a indústria em 2026 com estratégias que vão além do tradicional. Para atrair o consumidor em um cenário de custos elevados, as marcas apostam em antecipação de vendas, ampliação do portfólio e, principalmente, em parcerias licenciadas.
Neste ano, o setor colocou cerca de 700 produtos no mercado — um crescimento de 14% em relação a 2025, segundo a Abicab. Ao mesmo tempo, as empresas enfrentam o desafio de manter a demanda diante da inflação e do aumento nos preços de insumos, que ainda refletem custos contratados anteriormente.
Produção antecipada e pressão de custos
Mesmo com a recente queda nas cotações de cacau e açúcar, os preços ao consumidor ainda não acompanham esse movimento. Isso acontece porque o ciclo de produção do chocolate é longo, com planejamento e compra de matérias-primas feitos com bastante antecedência.
Na Cacau Show, por exemplo, a preparação para a Páscoa começa cerca de 17 meses antes. A empresa afirma que buscou absorver parte dos impactos por meio de eficiência operacional, aplicando reajustes moderados e mantendo opções de entrada no portfólio.
A Kopenhagen também seguiu um caminho de ajuste estratégico, reorganizando seu portfólio e reforçando linhas clássicas para equilibrar valor percebido e acessibilidade.
Produtos chegam mais cedo às prateleiras
Uma das principais mudanças para 2026 foi a antecipação da temporada. Para diluir o impacto dos preços e estimular compras ao longo de mais tempo, as marcas colocaram os produtos à venda já no início do ano.
Nestlé e Garoto, por exemplo, iniciaram a exposição em janeiro, levando ovos de Páscoa às gôndolas antes mesmo do Carnaval. Juntas, as empresas produziram mais de 174 milhões de itens e projetam crescimento de dois dígitos.
A Cacau Show também antecipou o movimento com pré-venda online, apostando em linhas licenciadas com alto apelo — como Harry Potter, Batman e One Piece — que chegaram a esgotar rapidamente.
Collabs ganham protagonismo
Se a antecipação garante mais tempo de exposição, as collabs se consolidam como um dos principais motores de vendas. Parcerias com marcas e personagens ampliam o alcance e ajudam a criar produtos com apelo emocional e colecionável.
A Brasil Cacau, por exemplo, reforçou sua estratégia com licenças como Turma da Mônica, Fini, KitKat e Alpino, apostando na diversificação de ocasiões de consumo. Já a Kopenhagen investe em colaborações com nomes como Wandinha, Fofolete e marcas internacionais, além de novidades voltadas ao público adulto.
Esse movimento não é novo, mas ganha ainda mais relevância após resultados positivos em 2025, quando linhas licenciadas impulsionaram o crescimento de algumas marcas.
Mais do que chocolate, experiência
No fim, as estratégias convergem: antecipar o consumo, ampliar a variedade e transformar o produto em uma experiência — seja por meio de brindes, embalagens ou parcerias.
Para o foodservice e o varejo, o movimento acende um alerta importante: a Páscoa deixa de ser uma data concentrada e passa a ser uma temporada mais longa, guiada por conveniência, desejo e inovação.
Conteúdo publicado originalmente pela InfoMoney







