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Salton aposta em espumantes de até R$ 50 para chegar a R$ 1 bilhão em vendas

Enquanto boa parte das vinícolas brasileiras e estrangeiras avança na estratégia de “premiumização”, com rótulos mais caros e posicionamento sofisticado, a Salton segue um caminho diferente. A vinícola gaúcha, líder do mercado nacional de espumantes há duas décadas, aposta em preços acessíveis para ganhar escala e mira um faturamento de R$ 1 bilhão até 2030.

Em entrevista à Bloomberg Línea, o diretor-presidente Maurício Salton explicou que a estratégia da empresa passa por “democratizar” o consumo de espumantes, mantendo o foco em produtos de maior giro e preços de até R$ 50 — faixa que concentra a maior parte da demanda no Brasil.

Hoje, a Salton detém cerca de 30% de participação no mercado nacional de espumantes. Um em cada três rótulos consumidos no país sai da vinícola, que fechou o último ano com faturamento próximo de R$ 600 milhões e crescimento médio de 10% ao ano na última década.

O espumante segue como o principal motor do negócio, respondendo por aproximadamente metade da receita. Em 2025, foram comercializadas cerca de 12,5 milhões de garrafas, número que deve chegar a 13,5 milhões em 2026, somando mercado interno e exportações.

Segundo o executivo, cerca de 80% a 85% do volume de espumantes da empresa está concentrado na faixa de até R$ 50. Acima disso, a atuação é mais pontual, com produtos voltados a restaurantes, turismo e composição de portfólio.

Além dos espumantes, os destilados representam cerca de 35% do faturamento da Salton, com produção concentrada em uma planta no interior de São Paulo. Juntas, as duas categorias somam cerca de 85% da receita total.

Outro movimento estratégico é a expansão das bebidas não alcoólicas. Os espumantes zero álcool, lançados há menos de dois anos, já superaram o suco de uva em participação dentro do portfólio. Em 2025, foram vendidas cerca de 600 mil garrafas, e a expectativa para 2026 é alcançar 900 mil unidades.

De acordo com Maurício Salton, a categoria tem atraído especialmente consumidores mais jovens e pessoas que evitam álcool por questões de saúde, religião ou estilo de vida. Apesar do crescimento acelerado, o executivo avalia o segmento como uma aposta de longo prazo.

O plano da Salton, segundo a Bloomberg Línea, contrasta com a tendência observada em outros grupos do setor, que buscam margens maiores com produtos premium. No caso da vinícola gaúcha, a aposta segue sendo volume, diversificação e acesso.

📌 Este conteúdo é uma adaptação de reportagem publicada originalmente pela Bloomberg Línea e republicada pelo Portal Foodbiz.

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