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Como a Manioca transformou o tucupi preto em “shoyu amazônico”

A ideia de colocar um produto amazônico na rotina do brasileiro — com a mesma naturalidade do molho de tomate ou do shoyu — está no centro da estratégia da Manioca.

A foodtech paraense, liderada por Joanna Martins, encontrou no comportamento do consumidor o caminho para reposicionar um ingrediente tradicional da região Norte: o tucupi preto. Pouco conhecido fora da Amazônia e de uso considerado complexo, ele ganhou uma nova identidade mais acessível — o chamado “shoyu amazônico”.

Mais do que uma mudança de nome, a transformação veio acompanhada de adaptação de formato. A versão original, concentrada e densa, deu lugar a um molho pronto para uso, facilitando a entrada no dia a dia e nas prateleiras do varejo.

O insight veio diretamente do público. Ao experimentar o produto, muitos consumidores faziam a mesma associação: “parece shoyu”. A partir daí, a marca decidiu assumir essa referência como estratégia de comunicação e posicionamento.

O resultado foi imediato: as vendas cresceram 35% após a mudança.

Do nicho gastronômico ao consumo cotidiano

A trajetória da Manioca reflete um desafio comum a ingredientes regionais: sair da alta gastronomia e ganhar escala no consumo cotidiano.

A marca começou fornecendo para chefs renomados, como Alex Atala e Helena Rizzo, mas percebeu que o crescimento passaria necessariamente pelo varejo e pelo uso doméstico.

Hoje, os produtos já estão presentes em grandes redes como Carrefour e Pão de Açúcar, além de varejistas regionais e canais de e-commerce.

Para avançar, a empresa também investe em educação do consumidor, com conteúdos e receitas que mostram aplicações simples no dia a dia — um movimento essencial para ampliar a penetração de ingredientes ainda pouco familiares.

Saudabilidade e simplicidade como diferencial

Outro ponto que favorece o posicionamento do “shoyu amazônico” é a composição.

Enquanto molhos de soja industrializados podem ter uma lista extensa de ingredientes, o produto da Manioca leva apenas mandioca, água e sal — além de apresentar até 80% menos sódio na versão light e não utilizar aditivos.

Esse atributo conecta o produto a uma demanda crescente por alimentos mais naturais e com menor nível de processamento.

Cadeia produtiva como parte da estratégia

A expansão da Manioca também passa pela base da cadeia: a agricultura familiar.

A mandioca representa cerca de 80% do portfólio da empresa, mas ainda enfrenta desafios de padronização e escala no Pará. Para contornar isso, a foodtech criou o Programa Raízes, que oferece suporte técnico e estabelece parcerias com produtores locais.

Hoje, a iniciativa apoia 23 famílias e garante o fornecimento de cerca de 140 toneladas de insumos por ano.

Mais do que garantir matéria-prima, o movimento fortalece o discurso de origem e sustentabilidade — cada vez mais relevante para o consumidor e para o foodservice.

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Fonte: Capital Reset UOL

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