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Unilever avalia separar divisão de alimentos

REUTERS/Brendan McDermid/File Photo

A Unilever começou a avaliar uma possível reestruturação relevante em seu portfólio: a separação da divisão de alimentos. O movimento, ainda em estágio inicial, faz parte de uma estratégia mais ampla de focar em categorias com maior potencial de crescimento — especialmente beleza, cuidados pessoais e bem-estar.

Segundo fontes ouvidas pela Bloomberg, a companhia analisa diferentes caminhos. Entre eles, estão desde um spin-off completo da operação de alimentos até a venda de marcas locais, mantendo apenas ativos mais estratégicos. A empresa também considera listar a divisão separadamente no mercado. Ainda não há decisão final, e qualquer movimento mais concreto deve acontecer apenas a partir de 2027.

Hoje, o negócio de alimentos da Unilever reúne marcas globais relevantes, como Hellmann’s, Knorr, Maille e Marmite. Estima-se que essa divisão possa valer dezenas de bilhões de dólares, o que naturalmente atrai o interesse de potenciais compradores.

Essa possível reconfiguração não surge do nada. Nos últimos anos, a companhia já vem reduzindo sua exposição ao segmento de alimentos. Entre os movimentos recentes estão a venda da divisão de margarinas, da marca Graze e da produtora de carnes vegetais The Vegetarian Butcher. Ainda há um pipeline de desinvestimentos estimado entre € 1 bilhão e € 1,5 bilhão em marcas locais.

Ao mesmo tempo, a empresa vem reforçando seu foco em categorias mais dinâmicas. Sob o comando do CEO Fernando Fernandez, a Unilever tem acelerado sua transformação, apostando principalmente em marcas como Dove e Liquid IV. A separação da divisão de sorvetes — agora operando como Magnum Ice Cream — também reforça essa estratégia.

No contexto de mercado, a decisão faz sentido. Grandes empresas de alimentos vêm enfrentando um cenário desafiador: consumidores mais pressionados pelo orçamento migram para marcas próprias e buscam opções mais acessíveis. Além disso, tendências como o uso de medicamentos para emagrecimento (GLP-1) podem reduzir o consumo de alimentos em geral ou aumentar a busca por produtos menos calóricos.

Por outro lado, o segmento de beleza segue em expansão, impulsionado por novos hábitos de consumo e maior disposição de gasto em cuidados pessoais — um contraste que ajuda a explicar o reposicionamento da Unilever.

Para o foodservice e a indústria de alimentos, o movimento levanta um ponto importante: até gigantes globais estão revisando suas prioridades diante de mudanças no comportamento do consumidor. A dúvida agora é até que ponto esse reposicionamento será pontual — ou o início de uma transformação mais ampla no setor.

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Fonte: Infomoney

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