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O alimento que ajuda a limpar o oceano e ainda nutre o corpo

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O interesse por alimentos mais sustentáveis não para de crescer — e, nesse movimento, as algas marinhas vêm ganhando espaço como uma solução que conecta nutrição, meio ambiente e novas oportunidades para o setorfilt.

Tradicionalmente presentes na alimentação de países asiáticos, as algas agora entram no radar de outros mercados, inclusive na América Latina. Entre 2013 e 2023, o cultivo de algas marinhas na região cresceu 66%, alcançando 22.125 toneladas, segundo dados da FAO. O número mostra que esse “alimento do mar” deixou de ser nicho e passou a integrar discussões mais amplas sobre o futuro da alimentação.

No Portal Foodbiz, esse movimento aparece cada vez mais associado a tendências como proteínas alternativas, ingredientes funcionais e modelos de produção alinhados à agenda ESG.

Por que as algas marinhas são consideradas um alimento sustentável?

As algas crescem no mar, desde áreas rasas até regiões mais profundas, e têm uma característica que chama atenção: não precisam de terra, água doce, fertilizantes químicos ou defensivos agrícolas para se desenvolver. Todos os nutrientes vêm diretamente do ambiente marinho.

Além disso, atuam como verdadeiros “filtros naturais” dos oceanos, absorvendo dióxido de carbono (CO₂) e o excesso de nutrientes presentes na água. Esse processo contribui para a redução dos impactos das mudanças climáticas e para a recuperação dos ecossistemas marinhos.

A Embrapa destaca que o crescimento rápido das algas e sua capacidade de capturar carbono tornam esse cultivo estratégico para o avanço da chamada economia azul, baseada no uso sustentável dos recursos do mar.

Impactos econômicos e sociais do cultivo de algas

Do ponto de vista econômico, o cultivo de algas marinhas abre espaço para novos modelos de negócio, especialmente em comunidades litorâneas. A atividade pode gerar renda, estimular o empreendedorismo local e reduzir a dependência de cadeias tradicionais de proteína.

No campo social, as algas também contribuem para a segurança alimentar. São fáceis de cultivar e permitem que comunidades costeiras produzam parte do próprio alimento, fortalecendo a autonomia nutricional e ampliando o acesso a ingredientes ricos em nutrientes.

Nutrição: por que as algas são consideradas superalimentos?

As algas marinhas concentram uma combinação relevante de nutrientes. São fontes naturais de iodo — essencial para o funcionamento da tireoide — além de minerais como cálcio, ferro, magnésio e potássio.

Também oferecem vitaminas do complexo B, além das vitaminas A, C, E e K. Em algumas espécies, como a nori, a proteína pode representar até 50% da composição seca, com um perfil completo de aminoácidos, o que posiciona as algas como uma alternativa interessante às proteínas de origem animal.

Outro ponto de destaque é o teor de fibras, que auxilia na digestão, no controle glicêmico e na sensação de saciedade. Sem contar os compostos antioxidantes, como carotenoides e polifenóis, associados à prevenção de doenças crônicas. Algumas algas ainda fornecem ômega-3 de origem vegetal, nutriente cada vez mais valorizado na alimentação contemporânea.

Principais algas comestíveis e como são usadas

Entre as variedades mais conhecidas estão:

Nori
Muito popular no Brasil por causa do sushi, tem sabor umami e textura crocante quando seca. Além de envolver preparações, também pode aparecer como snack ou ingrediente em pratos quentes.

Kombu
Base de caldos na culinária japonesa, é rica em glutamato natural, intensificando o sabor dos alimentos. Também é usada no cozimento de leguminosas, ajudando na digestibilidade.

Wakame
Com textura delicada, é comum em saladas e sopas. Versátil, se adapta facilmente a diferentes estilos de cozinha.

Dulse
Alga vermelha de sabor marcante, pode ser consumida como petisco, tempero ou até como substituto vegetal do bacon em algumas receitas — algo que dialoga diretamente com tendências plant-based.

No Brasil, a Embrapa já pesquisa espécies nativas com potencial de cultivo comercial, o que pode abrir novas frentes para produtores rurais e para o foodservice interessado em ingredientes locais e sustentáveis.

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Conteúdo originalmente publicado pelo Agro Estadão

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