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Armazenamento pode dobrar teor de açúcar da abóbora

Tempo de conservação transforma sabor e nutrientes das abóboras

Armazenamento estratégico pode dobrar o teor de açúcar e elevar proteínas, expandindo oportunidades de mercado, aponta estudo da Enza Zaden

O consumo de abóbora como fonte de betacaroteno e fibras tem popularizado o seu uso em dietas funcionais e na substituição de carboidratos simples. Além disso, as sementes do fruto são recomendadas por nutricionistas por oferecer proteínas antioxidantes e anti-inflamatórias que as tornam aliadas no tratamento de enfermidades digestivas, cardiovasculares, melhora na qualidade do sono entre outros benefícios. Conhecer as variedades do alimento e as demandas do mercado pode gerar novas oportunidades para produtores.  

As diferenças entre os grupos do alimento vão além da aparência, influenciando diretamente a oferta de nutrientes e o comportamento da fruta durante o armazenamento, segundo um estudo realizado pela pesquisadora sênior em pós-colheita Anne Marie Schoevaars, da companhia especializada em melhoramento genético de sementes e hortaliças Enza Zaden.

As avaliações de macronutrientes entre três tipos de abóboras mostram que a Vermelha e a Kabocha se destacam por teores mais elevados de fibras e proteínas em comparação à Butternut. No caso da Kabocha, observa-se ainda um nível significativamente maior de carboidratos totais e matéria seca, enquanto a Butternut apresenta uma concentração superior de sacarose. Já no campo dos micronutrientes, a Kabocha lidera nos níveis de vitaminas C e E, enquanto a Butternut apresenta-se como uma fonte robusta de betacaroteno.

Produção e armazenamento estratégico

Outro ponto destacado pela pesquisa é o impacto do armazenamento na composição final do produto. A conservação estratégica, por aproximadamente três meses, eleva os teores de proteínas e vitamina E em todos os tipos.  Em variedades específicas, o teor de açúcar e a percepção de doçura podem chegar a dobrar após esse período. No entanto, é necessário equilíbrio logístico, uma vez que o armazenamento prolongado pode causar uma redução nos níveis de vitamina C e folato (B9).

De acordo com a pesquisadora Tâmmila Klug, especialista da área de pós-colheita da Enza Zaden, o entendimento sobre essas variáveis permite aos produtores uma seleção de sementes direcionada para focar em nichos específicos, como a nutrição personalizada e a alimentação infantil. 

“A abóbora Vermelha e a Kabocha fornecem insumos para papinhas e produtos voltados ao bem-estar. A segmentação permite que o cultivo seja planejado não apenas pelo volume de colheita, mas pelo perfil nutricional exigido pelos compradores e consumidores”, explica Klug.

Ela também enfatiza a importância da maturidade no momento da colheita como fator determinante para a qualidade comercial. Segundo as análises é observável que variedades como a Butternut apresentam níveis baixos de açúcares quando colhidas precocemente, o que pode prejudicar o valor de mercado. 

“O cultivo da abóbora envolve certa complexidade, que exige um olhar cuidadoso no campo. No entanto, quando produtores dominam essas nuances, se tornam aptos para entregar mais sabor e nutrição, com maior valor de mercado e lucro real”, diz a pesquisadora. 

Fonte: assessoria

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