FoodBiz

1 em cada 4 brasileiros compra bebidas alcoólicas abaixo do preço, diz Unifesp

canva

Um levantamento da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp) revelou que 23,3% dos brasileiros costumam adquirir bebidas alcoólicas a preços muito abaixo do valor de mercado, muitas vezes em locais sem qualquer tipo de controle sanitário ou de licenciamento. A pesquisa chama atenção para o aumento do consumo irregular e os riscos associados, como intoxicações e casos de bebidas adulteradas com metanol.

>
Onde os brasileiros compram álcool

A Terceira Pesquisa Nacional sobre Álcool e Drogas (Lenad 3) identificou que o consumo e a compra de bebidas vão muito além de bares, restaurantes e supermercados.
Os principais pontos de aquisição são:

  • Lojas de conveniência em postos de gasolina: 33%
  • Camelôs: 16,7%
  • Aplicativos de entrega: 15,7%
  • Padarias: 14,4%

Esses locais, classificados como “não convencionais”, preocupam os especialistas por não oferecerem garantias de origem e segurança do produto.

>
Risco ampliado e falta de controle

A professora Clarice Madruga, coordenadora do estudo e especialista em psiquiatria da Unifesp, explica que países com regulações mais rígidas — como Canadá e Estados Unidos — não permitem a venda de bebidas alcoólicas em locais sem licença adequada.
Ela defende que o Brasil avance na organização e fiscalização do mercado, especialmente para combater a venda de produtos falsificados e o consumo por menores de idade.

>
Jovens e o fácil acesso ao álcool

O levantamento mostrou que 74,7% dos adolescentes entre 14 e 17 anos que tentaram comprar bebidas no último ano não foram barrados por causa da idade.
Os principais pontos de compra citados pelos jovens foram:

  • Bares e botequins: 76,1%
  • Intermédio de adultos: 44,9%
  • Ambulantes: 34,4%
  • Aplicativos de entrega: 16,4%

Enquanto o Sudeste se destaca pelo consumo via delivery e padarias, o Norte e o Nordeste têm maior presença do comércio informal, com forte atuação de ambulantes.

>
Caminhos para políticas públicas mais eficazes

Para os pesquisadores, a ausência de licenciamento e fiscalização efetiva impede o controle da venda a menores e amplia os riscos à saúde.
O relatório propõe cinco eixos de políticas públicas, incluindo:

  • Maior fiscalização e rastreabilidade das bebidas;
  • Controle da qualidade e do licenciamento dos pontos de venda;
  • Restrições à publicidade;
  • Limitação de promoções e open bars;
  • Campanhas de consumo responsável.

Com mais de 16 mil participantes em 300 municípios brasileiros, a pesquisa reforça a necessidade de políticas consistentes para reduzir danos e garantir segurança ao consumidor.


>
Fonte: Folhapress

Compartilhar