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EMS aposta nas canetas de GLP-1 e projeta expansão no Brasil

Leandro Fonseca/Exame

A EMS saiu na frente e foi a primeira farmacêutica a lançar no Brasil uma versão nacional dos análogos de GLP-1 — popularmente conhecidos como as “canetinhas” usadas no tratamento de diabetes e obesidade. Em pouco mais de um mês após a chegada ao mercado, os resultados já surpreendem. Segundo o vice-presidente da empresa, Marcus Sanchez, as vendas estão cerca de 20% acima do esperado, com boa aceitação tanto de médicos quanto de pacientes.

A expectativa é que a linha alcance faturamento entre R$ 100 milhões e R$ 120 milhões em 12 meses, com possibilidade de superar esse número. Embora ainda represente uma fatia pequena frente à receita líquida de R$ 8,27 bilhões da companhia em 2024, o segmento é visto como um dos principais vetores de crescimento da EMS nos próximos anos, especialmente a partir de 2026, quando a patente do Ozempic deve expirar, abrindo espaço para a semaglutida — substância de aplicação semanal que tem ganhado destaque no tratamento da obesidade.

Liraglutida no radar

A queda da patente da liraglutida, em novembro de 2024, abriu caminho para a EMS investir em dois novos medicamentos: Olire e Lirux. Ambos buscam resgatar o uso da substância junto a médicos e pacientes. Para Sanchez, a tendência é de crescimento ainda mais acelerado nos próximos meses, conforme a prescrição aumenta e o público geral passa a conhecer melhor o produto.

Ele também destaca que, apesar da concorrência da semaglutida, a liraglutida continuará relevante por questões de custo e estabilidade no tratamento. Além de ser mais acessível, o preço deve cair ainda mais com o aumento da concorrência e da produção.

Expansão e aquisições

No front industrial, a EMS inaugurou uma nova fábrica em Hortolândia (SP) dedicada à produção das canetas de GLP-1 e segue em ciclo intenso de investimentos nas unidades já existentes. Para 2026 e 2027, estão previstos mais de R$ 1 bilhão em expansão fabril.

Paralelamente, a empresa mantém a estratégia de crescimento via aquisições. Recentemente concluiu a compra da operação de injetáveis da alemã Fresenius Kabi no Brasil, incluindo a unidade de Anápolis (GO), especializada em medicamentos hospitalares como oncológicos, analgésicos e anestésicos.

No segmento de OTC (produtos vendidos sem prescrição), a EMS busca ampliar sua presença — atualmente com participação de pouco mais de 10%. Em 2023, já havia reforçado o portfólio com a compra da linha Dermacyd, da Sanofi.

Olhando para a Medley

Entre os movimentos futuros, a companhia também observa a possibilidade de disputar a aquisição da Medley, divisão de genéricos da Sanofi no Brasil, que deve ir ao mercado em 2026. Embora ainda sem valores oficiais, especula-se que a negociação gire em torno de US$ 1 bilhão.

Já a Hypera, dona da Neoquímica, deixou de ser prioridade após a entrada da Votorantim em seu bloco de controle. Mesmo assim, Sanchez afirma que a EMS permanece aberta a conversas, caso surjam oportunidades de sinergia.



Fonte: Exame

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