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Leite A2 avança no Brasil com apelo à digestão fácil e foco em valor agregado

O Leite A2 começa a ganhar espaço no mercado brasileiro ao atender uma demanda crescente por produtos mais toleráveis ao organismo e com maior valor agregado. Produzido exclusivamente por vacas com genética A2A2, o produto é conhecido por sua digestão mais fácil e por não provocar desconfortos intestinais relatados por parte dos consumidores do leite convencional.

Apesar de ainda representar menos de 1% da produção nacional, o Leite A2 já desperta o interesse de grandes laticínios e avança principalmente em Minas Gerais, onde produtores, pesquisadores e indústrias apostam na genética bovina como diferencial competitivo. O movimento acompanha uma tendência mais ampla de consumo, marcada pela busca por alimentos funcionais e alternativas ao leite tradicional.

A principal diferença está na proteína beta-caseína. Enquanto o leite comum pode conter a variante A1, o Leite A2 possui apenas a variante A2, considerada mais fácil de ser digerida. Esse fator tem impulsionado a aceitação do produto entre consumidores que relatam inflamações ou desconfortos digestivos associados ao consumo de leite convencional.

O interesse da indústria já se traduz em lançamentos. Laticínios como Piracanjuba e a Muai, da Serra da Mantiqueira, desenvolveram linhas específicas de Leite A2, indicando que, mesmo como nicho, o produto apresenta potencial comercial relevante. Para que o leite seja classificado como A2, ele precisa ser obtido exclusivamente de vacas com genótipo A2A2, o que torna a seleção genética um ponto central dessa cadeia.

Segundo a veterinária e pesquisadora da Epamig, Débora Gomide, a genética bovina define o potencial produtivo do Leite A2. Raças mais rústicas, como o Gir Leiteiro, apresentam maior prevalência do genótipo A2A2, enquanto raças de alta produção, como a holandesa, tendem a ter maior incidência da genética A1. Outros ruminantes menos submetidos a programas intensivos de melhoramento genético, como os búfalos, também produzem naturalmente leite do tipo A2.

A pesquisa científica acompanha esse avanço. A Epamig desenvolve estudos para mapear a presença de animais A2A2 nos rebanhos leiteiros, enquanto o Instituto de Laticínios Cândido Tostes (ILCT) avalia o uso do Leite A2 na produção de derivados, como o queijo minas frescal. A ampliação das aplicações fortalece a cadeia de laticínios voltados a alimentos funcionais.

Para garantir a autenticidade do produto, foi criada a certificação “Vacas A2A2”, que valida tanto a produção quanto a industrialização e assegura a rastreabilidade ao longo da cadeia. O processo envolve investimentos iniciais, especialmente em testes genéticos e certificação, mas especialistas apontam que o retorno financeiro tende a compensar, já que o Leite A2 alcança preços superiores aos do leite convencional.

No campo, esse diferencial econômico já começa a ser percebido. Produtores relatam maior valorização do produto, reforçando o potencial do Leite A2 como alternativa rentável para o setor leiteiro brasileiro. A expectativa é que a produção cresça à medida que aumente a demanda por alimentos de digestão fácil e com atributos funcionais — um movimento acompanhado de perto pelo Portal Foodbiz, atento às transformações do foodservice e do agronegócio no Brasil.

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Fonte: Diário do Comércio

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