Com a bebida presente em 98% dos lares brasileiros, nutrólogo explica como o consumo de café pode impactar o organismo e quais cuidados devem ser observados no dia a dia
Para muita gente, o dia só começa depois da primeira xícara de café. O hábito é tão presente na rotina dos brasileiros que a bebida está em 98% dos lares do país. Segundo dados da Associação Brasileira da Indústria de Café (ABIC), foram consumidas 21,409 milhões de sacas de café no Brasil em 2025. O volume representa uma queda de 2,31% em relação ao período anterior, mas mantém o país entre os maiores consumidores de café do mundo.
Mais do que a quantidade de café consumida, é importante observar quanto de cafeína chega ao organismo ao longo do dia. Isso porque a substância também está presente em bebidas e alimentos como chás, energéticos, refrigerantes e chocolates.
“A cafeína faz parte da rotina de muitas pessoas e, quando consumida em quantidades adequadas, pode fazer parte de uma alimentação equilibrada. O problema está principalmente no excesso e na sensibilidade individual à substância. Por isso, é importante observar não apenas quantas xícaras de café são consumidas, mas também outras fontes de cafeína presentes ao longo do dia”, explica Celso Cukier, nutrólogo da Rede de Hospitais São Camilo de São Paulo.
Nem sempre uma xícara significa a mesma quantidade de cafeína
A quantidade de cafeína ingerida pode variar de acordo com o tipo de café, a forma de preparo, a concentração da bebida e o tamanho da porção. Por isso, contar apenas o número de xícaras pode não ser suficiente para entender o consumo total ao longo do dia.
“Uma xícara de café não necessariamente representa sempre a mesma quantidade de cafeína. O tipo de café, o preparo e o tamanho da porção podem mudar bastante essa concentração. Por isso, quem consome a bebida várias vezes ao dia precisa considerar o consumo total e também outras fontes de cafeína”, explica o nutrólogo.
Segundo o especialista, a quantidade considerada adequada também pode variar de acordo com as características de cada pessoa. “Não existe uma quantidade que funcione da mesma forma para todo mundo. Peso, idade, sensibilidade à cafeína, qualidade do sono e algumas condições de saúde podem influenciar essa tolerância”, afirma.
Café demais pode dar sinais no corpo
Embora faça parte da rotina de muitas pessoas, o consumo excessivo de cafeína pode provocar efeitos como insônia, agitação, ansiedade, tremores, palpitações e desconforto gastrointestinal. A sensibilidade à substância, no entanto, varia de uma pessoa para outra.
“O próprio corpo pode dar sinais de que a quantidade está acima do que aquela pessoa tolera. Dificuldade para dormir, sensação de aceleração, tremores, ansiedade ou palpitações são alguns sinais que merecem atenção. Nesses casos, vale rever o consumo e, se os sintomas persistirem, buscar avaliação médica”, orienta Celso Cukier.
Outro ponto importante é o horário do consumo. Para pessoas mais sensíveis à cafeína, tomar café próximo ao período de sono pode prejudicar o descanso, mesmo que a bebida não provoque efeitos perceptíveis imediatamente.
“Mesmo quando a pessoa não percebe uma alteração imediata, a cafeína pode interferir no sono. Por isso, quem tem dificuldade para dormir deve observar se existe relação entre o horário do café e a qualidade do descanso”, acrescenta.
Afinal, quantas xícaras de café posso tomar por dia?
A resposta depende do tipo de café, da quantidade de cafeína presente na bebida e das características individuais de quem a consome. Para o nutrólogo, mais importante do que estabelecer uma regra única é observar o consumo total e a resposta do organismo.
A quantidade de cafeína presente no café pode variar conforme o tipo de grão, a torra e a forma de preparo. Segundo a Embrapa, uma xícara média de café coado, com cerca de 150 ml, pode conter entre 80 e 150 mg de cafeína. A diferença ajuda a explicar por que o efeito da bebida não depende apenas do número de xícaras consumidas, mas também da concentração e do modo como o café é preparado.
O especialista reforça ainda que pessoas que apresentam maior sensibilidade à cafeína ou determinadas condições de saúde podem precisar de uma orientação individualizada.
“O café não precisa ser encarado como um vilão. Para quem pode consumi-lo, ele pode fazer parte da rotina. O cuidado está em entender a quantidade, o horário e a forma como essa bebida se encaixa no restante da alimentação e do estilo de vida”, conclui Cukier.
A Rede de Hospital São Camilo de São Paulo possui Centro de Oncologia e de Hematologia (Transplantes de Medula Óssea) e tratamento com CAR-T-CELL. Referência em urgência e emergência conta com PS Adulto, Infantil e 60+. Possui a Certificação em nível Diamante da Qmentum Internacional, o Selo Amigo do Idoso e as Certificações PALC e ABHH.







