A culinária sustentável segue ganhando espaço em operações de foodservice no mundo todo, e o concurso Cook for Change é um retrato desse movimento. A iniciativa, criada pela Sodexo e realizada em parceria com a RATIONAL, convida chefs de vários países a criarem receitas autorais baseadas em ingredientes de baixo carbono, técnicas de aproveitamento total e protagonismo de alimentos de origem vegetal.
Criatividade aliada ao impacto positivo
Os participantes têm 60 minutos para preparar um prato principal completo, saboroso e replicável nas operações globais da Sodexo. O regulamento incentiva o uso predominante de vegetais, veta a carne vermelha e orienta que peixes e frutos do mar sigam o Guia de Frutos do Mar Sustentáveis da empresa.
Segundo a Sodexo, a competição surgiu do objetivo de acelerar a transição para cardápios mais responsáveis sem abrir mão de repertório culinário. A RATIONAL reforça a ideia de que tecnologia e gastronomia podem caminhar juntas para ampliar o impacto positivo do setor.
Como funciona a edição 2025
Neste ano, chefs de 30 países se inscreveram. A final acontece em Londres e reúne representantes de diferentes regiões: América do Norte, Brasil & LATAM, França, Reino Unido & Irlanda, COEU e APMEA. Também avança para a disputa o melhor segundo colocado das semifinais.
Os participantes foram desafiados a transformar ingredientes cotidianos em pratos autorais majoritariamente vegetais, valorizando técnicas sustentáveis, produtos locais e o aproveitamento integral. O Brasil tem histórico de destaque: venceu o concurso em 2023 e ficou entre os cinco melhores em 2024.
A presença brasileira
Três chefs representaram o país nas semifinais: Renan Lemos, Ricardo Fontana e Ezequias Andrade. As receitas desenvolvidas precisavam ser viáveis para replicação no dia a dia da Sodexo e podem integrar futuros cardápios da empresa.
Depois de uma disputa intensa, Ricardo Fontana, da Sodexo Brasil, conquistou a vaga para a final, realizada após a etapa regional em Chicago. O desafio focou em pratos de baixo impacto ambiental, técnicas sustentáveis e uso integral dos ingredientes.
A receita finalista: inspiração amazônica
O chef apresentou um prato inspirado na Terra Preta da Amazônia, construído a partir de sementes, talos, cascas e outros elementos que normalmente seriam descartados. A criação nasceu após uma imersão do chef na floresta, buscando referências dos povos originários e a ideia de circularidade presente na frase “da terra viemos e para a terra voltamos”.
Ricardo destaca que sua motivação sempre foi cozinhar de forma consciente, aproveitando ao máximo os recursos naturais. “Levar um pouco da culinária brasileira para uma competição global é especial. A Amazônia é um território de enorme potência cultural e alimentar”, afirma.
Por que o tema importa para o foodservice
Para o setor, iniciativas como o Cook for Change reforçam um movimento que já se reflete em empresas, consumidores e operadores:
- mais interesse por ingredientes de baixo carbono,
- integração entre sustentabilidade e técnica culinária,
- valorização do uso completo dos alimentos,
- busca por modelos de serviço mais responsáveis.
Essas discussões estão em linha com tendências mapeadas pelo Portal Foodbiz, que acompanha inovações, consumo consciente e práticas sustentáveis no foodservice brasileiro e internacional.
Por IFB – inspirado em reportagem de Natasha Olsen







