Durante evento realizado em Brasília, o assessor especial do Ministério da Agricultura, Carlos Augustin, destacou que a China está cada vez mais atenta às questões ambientais relacionadas aos produtos agropecuários que importa. Segundo ele, o Brasil precisa se antecipar e fortalecer certificações e selos de sustentabilidade, especialmente na cadeia de proteína animal, para atender aos padrões exigidos pelo mercado chinês.
O alerta foi feito na abertura do encontro sobre o comércio sino-brasileiro de carne bovina, promovido pelo Instituto de Manejo e Certificação Florestal e Agrícola (Imaflora). Augustin lembrou que já existem parâmetros internacionais de sustentabilidade para soja e algodão, mas o país ainda carece de mecanismos específicos para a pecuária, setor no qual o Brasil é líder mundial em exportações para a China.
“Temos que mostrar, ter selo, competência e ser reconhecido pelo trabalho. Não adianta ter o melhor código florestal do mundo se nosso CAR não funciona. Tem que ter a prova, senão fica vazio”, afirmou Augustin.
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O papel do setor privado
Para o assessor, o poder público sozinho não conseguirá garantir o avanço dessas boas práticas. A parceria com o setor privado é fundamental para destravar processos e validar o cumprimento das normas ambientais. Ele destacou que há um mercado crescente para produtos sustentáveis e que o Brasil tem a oportunidade de se posicionar como referência global nessa agenda.
“Estamos envolvidos no programa Caminho Verde Brasil, que busca financiar a recuperação de áreas degradadas e dobrar a produção nacional em dez anos, sempre com alto grau de sustentabilidade. Precisamos promover internacionalmente nossos produtos e mostrar que somos capazes de oferecer carne de qualidade e com responsabilidade ambiental”, afirmou.
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Dependência mútua com a China
Atualmente, cerca de 50% da carne bovina consumida na China é de origem brasileira. Para Augustin, essa interdependência comercial deve ser vista como uma oportunidade. “A China depende do Brasil tanto quanto nós dependemos deles. Essa relação é uma solução, não um problema”, reforçou.
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Novos selos e incentivos
Durante o evento, o Imaflora lançou o Beef on Track (BoT), uma certificação para carne produzida sem desmatamento, iniciativa elogiada por Augustin. Ele também defendeu a criação de um selo internacional de sustentabilidade e sugeriu incentivos econômicos — como financiamentos diferenciados e bonificações de preço — para pecuaristas comprometidos com práticas ambientais.
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Fonte: Globo Rural







