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Nestlé e Embrapa avançam em agricultura regenerativa na COP30

divulgação empraba

Durante a COP30, a Nestlé Brasil apresentou um acordo de cooperação com a Embrapa para desenvolver soluções de agricultura regenerativa em três cadeias estratégicas para a companhia no país: leite, cacau e café. O movimento marca uma nova etapa na relação entre as duas instituições, agora voltada para ciência aplicada, métricas de emissões mais precisas e tecnologias adaptadas à realidade do campo brasileiro. O acordo se conecta às metas globais da Nestlé de alcançar neutralidade de carbono até 2050 e reforça o papel da Embrapa na transição agroambiental nacional.

A escolha da Embrapa envolve conhecimento acumulado, experiência em ciência tropical e capacidade de articulação com políticas públicas. Para Barbara Sollero, head de agricultura regenerativa da Nestlé Brasil, soluções regenerativas só se tornam viáveis quando ciência, transferência de tecnologia e políticas públicas caminham juntas.

Dois estudos já começaram dentro da parceria. O primeiro analisa como diferentes dietas de vacas em lactação influenciam as emissões de metano, oferecendo dados para orientar produtores sobre práticas que conciliem produtividade e menor impacto climático. O segundo projeto foca em cacau na Amazônia, testando sistemas agroflorestais mais eficientes na Transamazônica, combinando recomposição florestal, biodiversidade e aumento de produtividade.

Durante o anúncio, as instituições apresentaram também o Guia Nacional para a Coleta de Dados de Pegada de Carbono no Leite, criado para padronizar métricas em fazendas leiteiras. A ferramenta busca dar mais clareza e credibilidade às medições, que envolvem solo, manejo, alimentação, rebanho e insumos.

A relação entre Nestlé e Embrapa tem quase três décadas, incluindo o Programa de Boas Práticas em Fazendas de Leite, de 2006, e iniciativas recentes voltadas à redução de emissões. Agora, a cooperação alcança mais de 40 unidades da Embrapa em todo o país. Para Marcelo Melchior, CEO da Nestlé Brasil, o novo acordo reforça o papel da ciência na transformação dos sistemas alimentares.

O movimento também recebeu aval do Nestlé Institute of Agricultural Sciences (NIAS), na Suíça, que dedica suas pesquisas a regeneração, biodiversidade e resiliência climática. Para Sollero, essa integração facilita a aplicação prática das descobertas no campo brasileiro.

A executiva destaca ainda que o produtor rural é o centro dessa transição, e não um espectador. O objetivo é oferecer ciência, assistência técnica e caminhos claros para que práticas regenerativas sejam possíveis e rentáveis.

Barbara Sollero reforça que o Brasil tem potencial para liderar o tema globalmente. Para ela, agricultura regenerativa é uma necessidade, e a união entre Embrapa e Nestlé acelera esse avanço.


Fonte: Times Brasil

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