Os drinques adocicados estão conquistando espaço na coquetelaria mundial – e essa mudança tem tudo a ver com o paladar da geração Z. Em Londres, um dos epicentros dessa transformação, bares renomados como o Scarfes, do hotel Rosewood, vêm apostando em combinações que equilibram doçura, frescor e complexidade.
Em uma noite especial no Rosewood São Paulo, o Rabo di Galo recebeu Mirko Furci, head bartender do Scarfes e responsável por coquetéis que figuram entre os melhores do mundo. Na ocasião, o público brasileiro pôde experimentar criações exclusivas, como a Pear Paloma – versão adocicada do clássico Paloma, que mistura tequila, cordial de pera clarificada, vinho Moscatel e soda – e o Zingy Stardust, inspirado no estilo Gimlet, com maçã, capim-limão e um toque de vinho doce Sauternes.
Por que o doce está em alta?
Segundo Furci, o movimento reflete uma tendência já perceptível em Londres e em outros grandes centros: drinques mais doces atraem uma nova geração de consumidores. Dados da consultoria IWSR mostram que, após anos de queda, o consumo de álcool entre a geração Z voltou a crescer – no Brasil, por exemplo, passou de 66% em 2023 para 73% em 2025 entre jovens que afirmaram ter consumido bebidas alcoólicas nos últimos seis meses.
Mais do que quantidade, essa geração busca qualidade e experiências únicas. Licores de frutas e destilados premium estão sendo usados para criar perfis de sabor intensos, mas equilibrados. O movimento também encontra eco entre millennials de maior poder aquisitivo, que procuram drinques sofisticados sem abrir mão de notas adocicadas.
E no Brasil?
Por aqui, a mudança é mais sutil. Bares brasileiros ainda valorizam a acidez e o frescor – como na clássica caipirinha – mas coquetéis como o Espresso Martini, que combina vodca, café espresso e xarope de açúcar, já são populares. Licores de frutas, como o de lichia usado no Martini do restaurante Makoto, também aparecem em cartas mais contemporâneas.
Para alguns bartenders, como Márcio Silva, do Exímia, o movimento ainda está no início. Mas a presença crescente de drinques mais doces em menus e eventos internacionais indica que a coquetelaria brasileira pode, em breve, embarcar nessa nova onda.
Fonte: Exame
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