Nos arredores de Fredericksburg, a cerca de uma hora de Austin, no Texas, uma fazenda de 364 hectares abriga bisões, perus selvagens, javalis e uma proposta ousada: mudar a forma como produzimos e consumimos carne. É ali, no coração da região de Hill Country, que nasce o Force of Nature — projeto liderado por três empreendedores determinados a criar um novo modelo de produção alimentar baseado em práticas regenerativas.
Katie Forrest e Taylor Collins, ex-atletas de resistência e fundadores da Epic Provisions, iniciaram essa trajetória ao adotar a dieta paleolítica e buscar alimentos naturais, livres de processamento. Ao lado do amigo Robby Sansom, então CFO e COO da Epic, o trio vendeu a empresa à gigante General Mills por cerca de US$ 100 milhões. A experiência os preparou para um novo desafio: construir uma cadeia de fornecimento confiável para carnes de qualidade superior, provenientes de animais criados a pasto.
Roam Ranch: solo, biodiversidade e inovação
O Roam Ranch é mais do que a sede do Force of Nature. É onde bisões não apenas vivem, mas também regeneram o solo com suas pisadas e comportamento natural. Quando chegaram, a propriedade era ressecada e degradada. Hoje, mesmo sob seca persistente, está coberta de vegetação nativa, flores e vida selvagem — um reflexo direto da abordagem regenerativa adotada.
A manada texana de bisões, uma versão mais compacta de seus parentes do norte, está em plena recuperação. Em um cenário onde esses animais quase foram extintos no século 19, Forrest e Collins contribuem para o resgate ecológico e cultural da espécie.
Carne regenerativa: além do boi
O trio atua com pecuaristas em estados como Kansas, Dakota do Sul e Montana, priorizando propriedades familiares que usam o gado como ferramenta para restaurar ecossistemas. Mas não pararam por aí. Agora, encaram o desafio da carne de frango — a mais consumida nos EUA.
A proposta? Substituir o frango industrial, de crescimento acelerado, por linhagens antigas, de desenvolvimento mais lento, criadas ao ar livre. Sansom admite que ainda não há frango regenerativo em escala, pois a criação exige ração e espaço — um desafio logístico e ambiental. Mas o compromisso é claro: promover alternativas mais equilibradas e sustentáveis.
Sem certificação, com transparência
A Force of Nature aposta em práticas regenerativas, mas evita usar certificações nas embalagens, priorizando a comunicação direta com o consumidor e os selos dos próprios produtores. O objetivo é manter os preços acessíveis enquanto educa o mercado sobre os benefícios do modelo regenerativo.
Hoje, seus produtos estão disponíveis online e em mais de 4 mil pontos de venda nos Estados Unidos. A empresa quer ser a “primeira peça de dominó” a abrir caminho para uma cadeia alimentar mais responsável, envolvendo produtores, marcas e consumidores em um movimento coletivo de transformação.
Comer menos, mas melhor
Forrest, Collins e Sansom não acreditam apenas em mudar a produção. Eles propõem uma mudança de mentalidade: comer menos carne, mas de melhor qualidade — vinda de sistemas que respeitam o solo, os animais e as comunidades. O Force of Nature é mais do que um projeto: é um convite para repensar o futuro da alimentação.
Fonte: Forbes







