Há mais de 20 anos, o greening dos citros — também conhecido como Huanglongbing (HLB) — mudou para sempre a citricultura na Flórida. Desde então, a doença já contaminou a maioria das laranjeiras do estado e provocou bilhões de dólares em prejuízos para a indústria mundial. Hoje, o problema avança também em outros polos produtores, afetando quase 45% do Cinturão Citrícola brasileiro em 2024.
Diante desse cenário, a Coca-Cola alerta: sem avanços concretos em detecção, manejo e tratamento, o suprimento global de laranjas pode estar ameaçado nas próximas duas décadas. Para enfrentar a crise, a companhia lançou o projeto “Salve a Laranja”, em parceria com o Fundecitrus — entidade que reúne citricultores e indústrias de suco no Brasil — e com a Invaio Sciences.
Segundo Christina Ruggiero, presidente da categoria global de nutrição da Coca-Cola, o engajamento da empresa é estratégico: “Como fornecedor líder de sucos, temos uma perspectiva única sobre essa questão crítica. Estamos comprometidos em apoiar os produtores de laranja e colaborar com o Fundecitrus para encontrar soluções viáveis.”
Impactos nos EUA e no Brasil
O contraste entre passado e presente revela a gravidade da situação. Os Estados Unidos, que já foram responsáveis por quase metade da produção mundial de laranjas, hoje respondem por apenas 5%. Na Flórida, a combinação do greening com furacões reduziu a colheita em mais de 90% desde 2005. Para 2025, a previsão do USDA é de 2,5 milhões de toneladas — menos da metade do volume registrado há dez anos.
No Brasil, a ameaça também preocupa, já que o país é o maior produtor e exportador de suco de laranja do mundo. A rápida disseminação do greening pode comprometer não só o abastecimento interno, mas também a estabilidade do mercado internacional.
Tecnologia como aliada
A Coca-Cola destaca que a inteligência artificial e outras ferramentas digitais vêm ganhando espaço em diversas frentes do negócio, da pesquisa e desenvolvimento ao marketing. A empresa já utilizou IA para criar campanhas publicitárias e até mesmo para cocriar produtos — como a bebida edição limitada Coca-Cola Y3000, lançada em 2023.
Agora, a expectativa é que essas mesmas tecnologias possam acelerar a busca por alternativas eficazes contra o greening, trazendo inovação para a citricultura e contribuindo para a segurança da cadeia global de sucos.
Fonte: Food Dive







