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Ozempic está levando os americanos a comerem menos?

Algo inusitado está acontecendo na dieta americana: os tradicionais biscoitos, pretzels e outros snacks industrializados estão ficando para trás nas prateleiras. Produtos que até pouco tempo figuravam entre os líderes de crescimento no setor de alimentos embalados agora enfrentam queda na demanda, enquanto barras e shakes proteicos ganham espaço no dia a dia dos consumidores.

Essa mudança de comportamento pode representar uma transformação profunda nos hábitos alimentares dos americanos — e um desafio sério para grandes companhias do setor, que investiram pesado em aquisições e lançamentos voltados a snacks mais indulgentes nos últimos anos.

Um exemplo emblemático é a Frito-Lay, da PepsiCo, conhecida por marcas como Doritos e Lay’s. Em 2024, pela primeira vez desde a crise financeira de 2008, a divisão de snacks da América do Norte registrou queda nas vendas, com a receita anual caindo de US$ 24,91 bilhões para US$ 24,76 bilhões.

Outras gigantes também sentem o baque. A Campbell’s, dona de marcas como Goldfish e Pepperidge Farm, revisou para baixo suas projeções de crescimento. Já ações de empresas como General Mills, Kraft Heinz, PepsiCo e a própria Campbell’s caíram cerca de 14% no último ano, mesmo com o índice S&P 500 apresentando alta de 8,5%.

Vários fatores estão em jogo. Entre eles, o descontentamento dos consumidores com os altos preços pós-pandemia, mudanças no poder de compra e, possivelmente, o impacto dos medicamentos para perda de peso à base de GLP-1, como Wegovy e Mounjaro, que têm influenciado hábitos alimentares.

Uma mudança de perfil alimentar

Especialistas e analistas do setor apontam também uma transição para uma alimentação mais rica em proteínas e menos processada. Produtos como iogurte grego, shakes proteicos, frutas frescas e snacks à base de carne vêm ganhando preferência. De acordo com Marion Nestle, professora emérita de nutrição da Universidade de Nova York, “os snacks estão no topo da lista de coisas que os consumidores não querem mais comer”.

Além disso, movimentos como o Make America Healthy Again (MAHA), que propõe uma alimentação mais limpa e menos industrializada, podem estar influenciando o comportamento até de consumidores de baixa renda — tradicionalmente mais ligados aos snacks acessíveis.

Outro dado simbólico: em 2023, a taxa de obesidade nos Estados Unidos caiu pela primeira vez em mais de uma década, de 44,1% para 43,96%, segundo o JAMA Health Forum.

Enquanto isso, empresas de alimentos começam a se adaptar. A Conagra Brands destaca o crescimento dos salgadinhos de carne; a PepsiCo investiu US$ 1,2 bilhão na Siete Foods, especializada em chips de tortilha sem grãos; e há rumores de possíveis aquisições de marcas como Chobani, Barebells e GoMacro, voltadas a alimentos ricos em proteína e com apelo saudável.

Uma coisa é certa: os americanos continuam petiscando. Mas, à medida que suas preferências mudam, o setor alimentício precisa evoluir junto com eles.

Essa adaptação foi inspirada na matéria original publicada pela InvestNews

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