Entre janeiro e abril de 2025, o Grupo Petrópolis — atualmente em processo de recuperação judicial — vendeu 7,6 milhões de hectolitros de cerveja, um crescimento de 6% em relação ao mesmo período de 2024, segundo estimativas do UBS BB com base em dados da Nielsen. Esse avanço fez a participação de mercado do grupo superar a marca de 12%, frente aos menos de 10% registrados em fevereiro. Ainda assim, a Ambev lidera com ampla vantagem, detendo 59% do mercado, seguida pela Heineken com 24%.
Estratégia agressiva de preços sustenta crescimento
Apesar dos bons números em volume, o crescimento do Grupo Petrópolis não veio sem custos. Segundo relatório do BTG Pactual, os preços médios praticados pela empresa caíram 9% em março e mais 5% em abril, comparados ao mês anterior. Essa política agressiva de preços parece ser a principal alavanca para o aumento de participação, mesmo em um cenário de estrutura financeira fragilizada. A recuperação judicial ofereceu apenas um alívio temporário à saúde do caixa da companhia, que segue em busca de equilíbrio.
Oscilações estratégicas ao longo do tempo
O histórico recente da empresa mostra uma política de preços volátil. Em 2024, os valores foram reduzidos de forma significativa no primeiro semestre — com quedas médias de 26% entre abril e julho — para alavancar o volume de vendas. Já na segunda metade do ano, a empresa reverteu a estratégia e elevou os preços em 38%, numa tentativa de priorizar margens em detrimento do volume, diante do aumento dos custos de insumos.
Um mercado pressionado e em transformação
A disputa entre as grandes cervejarias brasileiras ocorre em um ambiente altamente competitivo e marcado por pressões inflacionárias. Segundo analistas do UBS BB, a estratégia de preços do setor tende a ser volátil, refletindo não só os movimentos dos concorrentes, mas também as oscilações no custo de produção. Embora o crescimento em volume seja um indicador positivo, empresas como o Grupo Petrópolis ainda enfrentam o desafio de converter esse avanço em sustentabilidade financeira de longo prazo.
O setor cervejeiro nacional segue em adaptação diante de um consumidor mais sensível a preços e de um cenário econômico desafiador. A forma como os players equilibram preço, volume e rentabilidade será determinante para os rumos do mercado nos próximos meses.
Fonte: Diário do Povo







