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Café brasileiro na mira: tarifa nos EUA pode mudar o mercado global

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O setor cafeeiro brasileiro enfrenta uma nova e significativa ameaça internacional: o ex-presidente Donald Trump anunciou planos de impor uma tarifa de 50% sobre todas as importações do Brasil a partir do próximo mês. Caso entre em vigor, a medida pode impactar diretamente o preço do café servido nas cafeterias e consumido nas casas dos norte-americanos — e provocar uma reestruturação no fluxo global do produto.

A tarifa como catalisador de uma crise

A medida tarifária vem em um momento delicado. Os preços do café já atingiram recordes em 2025, pressionados por colheitas reduzidas no Brasil e no Vietnã — os dois maiores exportadores mundiais da commodity. A seca severa em ambas as regiões prejudicou a produção, elevando os custos.

Segundo dados do Departamento de Estatísticas do Trabalho dos EUA, em maio o preço médio de 450g de café torrado e moído chegou a US$ 7,93 — um salto expressivo frente aos US$ 5,99 registrados no mesmo período do ano passado.

Brasil: líder em volume e qualidade

Em 2024, o Brasil exportou mais de 8,1 milhões de sacas (de 60 kg cada) para os EUA. Uma interrupção repentina nessas exportações seria prejudicial tanto para produtores quanto para consumidores. Guilherme Morya, analista de café do Rabobank, alerta que os exportadores brasileiros estão em compasso de espera, na expectativa de um desfecho diplomático que evite redirecionamentos forçados para novos mercados.

“A tarifa pode desencadear uma reformulação no fluxo global de café, com o Brasil buscando novos destinos”, afirmou Morya.

Impacto para grandes redes e consumidores

Grandes redes como a Starbucks costumam firmar contratos com antecedência, o que reduz os efeitos imediatos da alta. No entanto, mudanças no suprimento já estão sendo consideradas por algumas empresas, que buscam se antecipar às tarifas.

Analistas apontam que a estratégia de tarifas agressivas adotada por Trump cria instabilidade para todo o setor. “É como jogar um jogo de bater na toupeira — a cada movimento, surgem incertezas para o fabricante”, disse o consultor americano James Cummings.

Riscos de substituição e perda de qualidade

Buscar alternativas no Vietnã, segundo maior produtor mundial, não resolveria o problema. Além da produção limitada, a variedade predominante no país é o robusta — mais amarga e menos valorizada que o arábica brasileiro, conhecido por sua suavidade e qualidade superior.

David Gantz, economista da Universidade Rice, destaca que países como o Vietnã não seriam capazes de “conter o fluxo” do café global no curto prazo. No cenário mais provável, parte das exportações brasileiras seria interrompida e o restante continuaria, mas com preços mais altos repassados ao consumidor final.



Fonte: Infomoney

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