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EUA e União Europeia fecham acordo e evitam guerra comercial

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Os Estados Unidos e a União Europeia chegaram a um acordo tarifário que reduz pela metade a taxa inicialmente prevista e afasta o risco de uma guerra comercial entre os dois blocos, responsáveis por quase um terço do comércio mundial. O entendimento, anunciado no domingo, estabelece uma tarifa de importação de 15% sobre a maior parte dos produtos europeus.

O acordo foi confirmado após encontro entre o presidente norte-americano Donald Trump e a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, em um resort na Escócia. Segundo Trump, o compromisso prevê investimentos da União Europeia nos EUA que podem chegar a US$ 600 bilhões, além de ampliar compras de energia e equipamentos militares norte-americanos.

Von der Leyen classificou o resultado como “o melhor possível” diante das negociações intensas e destacou que o pacto traz estabilidade e previsibilidade para o comércio transatlântico. A tarifa, no entanto, ainda é considerada elevada por parte da indústria europeia, que esperava um acordo de “tarifa zero”.

Detalhes e exceções

O pacto segue linhas semelhantes ao acordo firmado recentemente entre EUA e Japão, mas deixa pontos em aberto — como tarifas sobre bebidas alcoólicas, que continuam em negociação. Entre os produtos isentos da nova tarifa estão aeronaves e peças aeronáuticas, determinados produtos químicos, medicamentos genéricos, semicondutores e alguns itens agrícolas.

Ainda assim, os Estados Unidos mantêm tarifas mais altas sobre setores estratégicos, como aço e alumínio, que permanecem taxados em 50%. Há a possibilidade de essas taxas serem substituídas por um sistema de cotas no futuro, caso as conversas avancem.

Impactos econômicos

O chanceler alemão Friedrich Merz celebrou o acordo, ressaltando que ele evita impactos severos para a economia exportadora da Alemanha, especialmente para o setor automotivo, que vinha sendo duramente afetado pelas tarifas de 27,5% aplicadas pelos EUA sobre veículos e peças.

Apesar do alívio imediato, especialistas alertam que o documento ainda é considerado um “acordo político de alto nível”, sujeito a interpretações divergentes e futuras revisões. O mercado reagiu de forma moderada: o euro registrou leve alta frente ao dólar, à libra esterlina e ao iene logo após o anúncio.

Próximos passos

O acordo será monitorado de perto, já que prevê cláusulas que permitem aos EUA reavaliar as tarifas caso a União Europeia não cumpra seus compromissos de investimento. Ambos os lados também sinalizaram que continuarão negociando para incluir mais produtos na lista de isenção tarifária.

Para o governo norte-americano, o pacto se soma a outros entendimentos recentes com Japão, Reino Unido, Indonésia e Vietnã, reforçando a estratégia de redefinir as relações comerciais globais e buscar equilíbrio nos déficits acumulados ao longo de décadas.

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