A Diageo, gigante global do setor de bebidas, acaba de elevar sua meta de economia de custos para US$ 625 milhões nos próximos três anos, por meio do programa Accelerate. A nova meta representa um aumento de US$ 125 milhões em relação ao plano original anunciado no início de 2025 — um movimento que sinaliza uma resposta direta ao atual ambiente econômico desafiador e à necessidade de ganhos em produtividade.
Nik Jhangiani, CEO interino da companhia, destacou que o programa vai além de cortes: trata-se de revisar prioridades de investimento, fortalecer capacidades operacionais e sustentar o crescimento orgânico. “Acelerar não significa apenas cortar custos; significa impulsionar um melhor crescimento e priorizar onde investimos”, afirmou durante o anúncio dos resultados anuais.
Otimização como alavanca de crescimento
A estratégia reflete um reposicionamento inteligente da Diageo frente a um cenário de consumo mais volátil e de concorrência acirrada — temas também presentes no foodservice brasileiro. A companhia busca conectar melhor seus investimentos em marketing e publicidade aos resultados comerciais, numa abordagem mais estruturada e orientada a performance.
Parte dessa revisão inclui a possibilidade de reduções pontuais de postos de trabalho, com o objetivo de redirecionar recursos para áreas estratégicas. A proposta, segundo Jhangiani, é liberar capital para reinvestimento — o que pode ser um alerta importante para líderes que ainda veem os cortes como um fim em si mesmo, e não como um meio para fortalecer a operação.
Desempenho misto e perspectivas para 2026
Apesar da leve queda nas vendas líquidas totais (US$ 20,25 bilhões), a Diageo registrou um crescimento de 1,7% nas vendas líquidas orgânicas, resultado de estratégias focadas em volume e preço. A performance, porém, variou entre regiões: a América do Norte apresentou alta de 1,5%, enquanto Ásia-Pacífico recuou 3,2%, impactada por quedas na Grande China e Sudeste Asiático.
No consolidado do ano fiscal encerrado em junho de 2025, a empresa viu seu lucro líquido cair 39,1% (para US$ 2,54 bilhões), com queda de 27,8% no lucro operacional. Ainda assim, a projeção para 2026 é de manutenção do ritmo de crescimento nas vendas, com expectativa de alta de dígito médio no lucro operacional orgânico — especialmente no segundo semestre do ano.
O que o setor de foodservice pode aprender
Para o foodservice brasileiro, o movimento da Diageo reforça alguns pontos-chave:
- Eficiência não é sinônimo de retração, mas de foco e alocação estratégica.
- Investimentos bem conectados à execução comercial tendem a gerar mais retorno.
- Flexibilidade e resposta rápida ao comportamento do consumidor continuam sendo diferenciais competitivos importantes.
O programa Accelerate mostra que, mesmo em tempos de pressão econômica, é possível crescer com inteligência operacional e decisões corajosas.
Fonte: Food Bev







