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Brasil e México: aproximação estratégica em tempos de tarifaço

Leandro Fonseca/Exame

O vice-presidente e ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC), Geraldo Alckmin, iniciou nesta terça-feira (26) uma visita oficial ao México. A missão tem como objetivo ampliar as relações políticas e comerciais entre os dois países, especialmente diante das novas barreiras impostas pelos Estados Unidos às exportações brasileiras.

Encontro com a presidente Claudia Sheinbaum

Na agenda, um dos pontos de maior destaque será a audiência com a presidente mexicana Claudia Sheinbaum, marcada para quinta-feira (28). O encontro pretende reforçar laços políticos e tratar de temas estratégicos para a América Latina, como:

  • negociações comerciais,
  • segurança alimentar,
  • transição energética.

Além do governo mexicano, representantes do setor privado também participam, criando um espaço de diálogo sobre oportunidades de negócio.

A comitiva brasileira

Alckmin viaja acompanhado de uma comitiva que inclui:

  • Carlos Fávaro, ministro da Agricultura e Pecuária;
  • Simone Tebet, ministra do Planejamento e Orçamento;
  • Maria Laura, secretária-geral do Itamaraty;
  • líderes de instituições estratégicas como ApexBrasil, Conab, Anvisa, Fiocruz e Instituto Butantan;
  • além de representantes da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e empresários.

A presença de órgãos ligados à saúde, agricultura e indústria demonstra o esforço do governo brasileiro em apresentar soluções integradas, do agronegócio à inovação tecnológica.

Fórum Empresarial Brasil-México

Um dos marcos da viagem será o Fórum Empresarial Brasil-México, organizado pela ApexBrasil nesta quarta-feira (27). O evento reunirá ministros e mais de 250 empresários dos dois países em seminários, mesas-redondas e visitas técnicas a setores-chave, como alimentos e bebidas, tecnologia, saúde, indústria aeroespacial e transição energética.

México como alternativa ao “tarifaço” dos EUA

A busca por novos mercados ganhou força após o anúncio, em junho, do governo norte-americano de impor tarifas de 50% a diversos produtos brasileiros, incluindo café, carne bovina, frutas, têxteis e calçados.

Nesse contexto, o México surge como um destino estratégico. Em 2024, o comércio bilateral somou US$ 13,6 bilhões, tornando o país o segundo maior parceiro do Brasil na América Latina e o sétimo no mundo.

Principais exportações brasileiras para o México em 2024:

  • Veículos de passageiros – US$ 715,4 milhões
  • Soja – US$ 695,6 milhões
  • Carnes de aves – US$ 563,7 milhões
  • Veículos de carga – US$ 507 milhões
  • Motores de pistão – US$ 469 milhões

Importações brasileiras do México:

  • Partes e acessórios automotivos – US$ 849 milhões
  • Veículos de passageiros – US$ 757,8 milhões
  • Veículos de carga – US$ 264,2 milhões
  • Instrumentos de medição – US$ 243,1 milhões
  • Máquinas e aparelhos elétricos – US$ 210,9 milhões

Oportunidades para o Brasil

Segundo estudo da ApexBrasil, o México apresenta 434 produtos com alto potencial de importação do Brasil, incluindo veículos, máquinas para geração de energia, químicos, alimentos e bebidas.

Com a Copa do Mundo de 2026 no horizonte e um processo de modernização da infraestrutura, cresce a demanda mexicana por materiais de construção, iluminação, equipamentos esportivos e soluções sustentáveis — áreas em que o Brasil possui alta competitividade.



Fonte: Exame

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