A foodtech norte-americana The Better Meat Co acaba de captar US$ 31 milhões em uma rodada Série A, fortalecendo sua aposta na micoproteína Rhiza como alternativa competitiva à carne bovina. Desde sua fundação, em 2018, a empresa já acumulou US$ 43 milhões em investimentos.
O aporte foi liderado pela Future Ventures e pela Resilience Reserve, com participação de nomes como Glenn Hickman (CEO da Hickman’s Family Farms), além de fundos como Epic Ventures e Sigma Ventures.
O que é a Rhiza
Desenvolvida a partir da fermentação do fungo Neurospora crassa, a Rhiza é uma micoproteína rica em aminoácidos essenciais, contendo 50% de proteína em peso seco, além de fibras em quantidade superior à aveia e potássio maior que o da banana. Tudo isso sem colesterol e com baixo teor de gordura saturada.
Sua versatilidade permite aplicações tanto em produtos 100% vegetais quanto em carnes híbridas, melhorando textura, rendimento e valor nutricional. Hoje, a Better Meat já trabalha com players globais como Hormel Foods, Maple Leaf Foods e a fornecedora de refeições escolares SFE, somando contratos que devem gerar US$ 13 milhões por ano em receita.
Além da carne: novas aplicações
Embora tenha começado no setor de carnes híbridas, a empresa já testou a Rhiza em lácteos (leite, queijos, iogurte e sorvetes) e em panificados, como pães, tortilhas e brownies. A micoproteína pode ainda substituir ovos em receitas e enriquecer produtos como barrinhas de proteína.
No campo regulatório, a Better Meat conquistou seis patentes nos EUA e a aprovação tanto da FDA quanto do USDA — sendo a única micoproteína considerada “segura e adequada” para uso em carnes convencionais. Singapura também já liberou o ingrediente.
Escala e próximos passos
Hoje, a empresa opera com um biorreator de 9 mil litros em Sacramento, mas já planeja expandir para tanques de 150 mil litros com apoio de um co-manufatureiro, além de um aporte adicional de US$ 1,5 milhão do Departamento de Defesa dos EUA.
A adoção de um sistema de fermentação contínua reduziu custos em mais de 30%, e a meta é clara: atingir custo competitivo com a carne moída até 2026.
Um feito em tempos de retração
O levantamento de capital da Better Meat acontece em meio à queda global nos investimentos em proteínas alternativas. Entre 2023 e 2024, os aportes caíram mais de 60%, e no primeiro semestre de 2025 a redução foi de quase 50% em relação ao mesmo período do ano anterior.
Nesse cenário, captar US$ 31 milhões se mostra um marco relevante para o setor. Como disse Paul Shapiro, CEO da empresa: “Construir uma foodtech hoje pode parecer um jogo de sobrevivência — mas boas ideias ainda encontram espaço para prosperar.”
Fonte: Vegan Business







