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SP vai suspender cadastro de comércios que vendem bebidas adulteradas

Foto: Pablo Jacob/Governo de São Paulo

O governo de São Paulo anunciou novas medidas contra o comércio de bebidas adulteradas ou sem nota fiscal. Segundo o governador Tarcísio de Freitas, bares, restaurantes e distribuidoras flagrados vendendo produtos falsificados terão o cadastro estadual suspenso de forma imediata.

A decisão foi comunicada nesta sexta-feira (3) e busca coibir práticas ilegais que colocam em risco a saúde pública e afetam a credibilidade do setor. “Vamos cassar a inscrição estadual de quem comercializar bebidas falsificadas. É uma questão de segurança do consumidor e de cumprimento da lei”, declarou o governador.

Tarcísio também destacou a gravidade do problema no país: 36% das bebidas destiladas comercializadas no Brasil são adulteradas, segundo estimativas citadas por ele. No Congresso Nacional, há discussão para tornar esse tipo de crime hediondo, o que aumentaria o rigor das penas.

Metanol em bebidas: foco das investigações

A Polícia Civil de São Paulo investiga se o metanol, um álcool altamente tóxico, foi usado na higienização de garrafas reutilizadas em fábricas clandestinas. Esse produto químico pode causar cegueira, falência de órgãos e até morte quando ingerido.

Mais de mil garrafas foram recolhidas pela polícia e pela Vigilância Sanitária nos últimos dias, e parte delas já passou por análise no Instituto de Criminalística (IC). Em duas das dez amostras avaliadas até agora, foi detectada presença de metanol.

O processo de investigação inclui etapas de documentoscopia — verificação de selos, rótulos e lacres — e análise química do conteúdo das garrafas. Os resultados são encaminhados à Polícia Civil, que segue apurando a origem do esquema de falsificação.

Impacto no setor e reforço na fiscalização

As recentes intoxicações por bebidas adulteradas já afetam o movimento em bares e restaurantes de São Paulo. Alguns estabelecimentos relatam queda no consumo de destilados e aumento na busca por cervejas e vinhos, considerados de menor risco.

Em resposta, o governo estadual criou uma força-tarefa de fiscalização, com participação da Secretaria da Fazenda, Vigilância Sanitária e Instituto de Criminalística. A prioridade é identificar e retirar do mercado bebidas contaminadas e punir com rigor os responsáveis.

Risco e prevenção

O metanol é utilizado industrialmente em solventes e produtos de limpeza, mas não é seguro para o consumo humano. Diferente do etanol — presente nas bebidas alcoólicas comuns —, o metanol é inodoro e incolor, o que dificulta sua identificação pelo consumidor.

O Ministério da Saúde instalou uma Sala de Situação nacional para coordenar ações entre Anvisa, secretarias estaduais e municipais de saúde, além de outros órgãos federais, com o objetivo de conter os casos e evitar novas contaminações.

No contexto do foodservice, a medida reforça a necessidade de controle rigoroso de fornecedores e procedência de bebidas, além da importância da transparência fiscal e sanitária nos estabelecimentos. O combate à adulteração é essencial não apenas para proteger a saúde pública, mas também para preservar a confiança do consumidor no setor.


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Fonte: Exame

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