A francesa Accor, maior rede hoteleira do país, descobriu um novo motor de crescimento: a gastronomia. O que antes era um complemento à hospedagem — com cafés da manhã e refeições para hóspedes — hoje representa mais de R$ 1 bilhão em receita no Brasil, cerca de 20% do faturamento nacional da companhia. E o plano é ambicioso: dobrar esse número nos próximos anos.
Segundo Olivier Hick, COO da Accor no Brasil, o país se tornou vitrine global da estratégia de alimentos e bebidas do grupo. “Precisávamos ir além dos quartos. Bares, restaurantes e espaços de convivência são hoje centrais no nosso ecossistema”, afirmou à Bloomberg Línea.
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Restaurantes que atraem quem não está hospedado
A mudança de visão começou a ganhar força depois da pandemia. Com a queda nas taxas de ocupação, a rede percebeu que os espaços ociosos podiam se tornar pontos de encontro abertos à cidade. Assim, nasceram conceitos de gastronomia que atraem tanto hóspedes quanto o público externo.
Hoje, a Accor opera 24 marcas temáticas de restaurantes e bares em seus hotéis no Brasil. Há desde pizzarias napolitanas (Sponta) e churrascarias modernas (Base BBQ) até cafeterias plant-based (Yucafé) e cevicherias (QCeviche!). O sucesso é visível: hotéis que implantaram esses conceitos tiveram crescimento médio de 30% na receita, chegando em alguns casos a dobrar o faturamento do restaurante.
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Do luxo ao casual: um cardápio para todos os públicos
Um dos objetivos da Accor é romper o estigma de que restaurante de hotel é caro ou elitizado. “Queremos ser acessíveis, mantendo qualidade e experiência diferenciadas”, explica Bruno Latini, gerente de Alimentos & Bebidas da rede.
O foco está em oferecer preços competitivos com restaurantes de rua, mas com o diferencial da segurança alimentar e do padrão internacional. Nos hotéis Ibis e Novotel, por exemplo, o ticket médio de almoço fica abaixo de R$ 100, enquanto opções premium, como no Pullman Ibirapuera, podem ultrapassar os R$ 200.
Além disso, os cardápios são ajustados ao gosto local. “Os brasileiros têm forte preferência pela culinária italiana, então as trattorias e pizzarias são os grandes sucessos da rede”, conta Latini.
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O papel do Brasil na expansão global da Accor
Com 325 hotéis em operação no país e previsão de chegar a 600 unidades na América do Sul até 2029, o Brasil é um dos mercados mais relevantes da Accor. O desempenho da área de gastronomia aqui supera a média global: enquanto o faturamento com alimentos e bebidas representa 14% da receita dos hotéis no mundo, no Brasil essa fatia chega a 19%.
Essa expansão está ligada ao modelo asset light da companhia — que opera com franquias, oferecendo aos investidores todo o suporte para desenvolver conceitos gastronômicos nos hotéis. “Hoje, mais de 90% dos franqueados escolhem incluir bares e restaurantes desde o início do projeto”, afirma Hick.
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Gastronomia como experiência e fidelização
A aposta na gastronomia também fortalece o programa de fidelidade ALL Accor, que agora permite acumular pontos em consumos de bares e restaurantes, mesmo para quem não está hospedado.
A ideia é que o cliente de um almoço executivo possa, com o tempo, usar seus pontos em uma estadia — criando uma relação mais próxima com a marca.
Nos grandes centros, restaurantes como o Sponta Pizza Bar e o Base BBQ já conquistaram clientela própria e competem com estabelecimentos tradicionais de rua. O resultado é um novo papel para os hotéis: menos lugar de passagem, mais destino gastronômico.
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Fonte: Bloomberg Línea







