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Destilarias artesanais brasileiras ganham espaço após o escândalo do metanol

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A recente crise envolvendo adulterações em bebidas com metanol está gerando uma transformação silenciosa — e promissora — no setor de destilados brasileiros. Restaurantes e bares renomados, como Clandestina, Cuia, La Casserole e Futuro Refeitório, decidiram priorizar rótulos de pequenos produtores nacionais, abrindo caminho para marcas como Yvy, Beg Gin, Lamas e Kalvelage.

O movimento começou com um post da chef Bel Coelho, que anunciou nas redes sociais que seus estabelecimentos passariam a trabalhar exclusivamente com destilados de origem artesanal e comprovadamente seguros. A decisão inspirou outros negócios e reacendeu a atenção para a procedência das bebidas — um tema que há muito tempo carecia de visibilidade entre consumidores e profissionais do setor.

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Da tragédia à oportunidade

O episódio do metanol, que resultou em mortes e investigações em São Paulo, trouxe à tona a importância da transparência e rastreabilidade na produção de bebidas alcoólicas. Para pequenas destilarias, antes vistas com desconfiança, o momento abriu uma janela de oportunidade.

“Uma pessoa que organizava um casamento viu o post da Bel e decidiu trocar todos os destilados da festa”, contou André Sá Fortes, fundador da mineira Yvy, ao NeoFeed. “A tragédia levantou o debate sobre confiança e origem — e nisso o artesanal tem vantagem.”

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Marcas nacionais de prestígio

A nova geração de destilarias artesanais brasileiras já vinha conquistando prêmios internacionais. A Lamas, de Minas Gerais, por exemplo, é reconhecida pela qualidade de seus uísques, enquanto a catarinense Kalvelage Distillery recebeu duplo ouro na San Francisco World Spirits Competition 2025 com sua vodca Vibe.

Esses reconhecimentos vêm acompanhados de colaborações com especialistas e investimentos em treinamento. “Os garçons precisam saber contar a história por trás do produto”, explica Luciana Lamas, diretora da marca mineira. O mesmo raciocínio guia outras produtoras, como a Beg Gin, que promove visitas à destilaria e experiências imersivas para consumidores.

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Informação e confiança como diferenciais

O principal desafio das pequenas destilarias ainda é a falta de visibilidade frente às grandes multinacionais, que dominam o mercado com campanhas e incentivos comerciais. “Se o bartender não conhece a marca, o consumidor também não chega até ela”, observa a sommelière Patricia Brentzel, dos restaurantes de Bel Coelho.

Para driblar essa barreira, as marcas artesanais têm apostado em comunicação direta com o público. A Yvy, por exemplo, disponibiliza laudos técnicos de cada lote em seus canais oficiais, reforçando a segurança do produto. Já a Beg Gin convida o público a conhecer de perto seu processo de fabricação — e sair de lá com o próprio rótulo engarrafado.

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Um novo capítulo para o destilado brasileiro

Embora o consumo de destilados premium nacionais ainda seja restrito a nichos mais informados, o cenário está mudando. “É triste o motivo, mas a crise evidenciou a importância da procedência. E isso o artesanal domina com maestria”, resume Arthur Flosi, criador do Beg Gin.

A lição que fica é clara: confiança e origem são os novos ingredientes essenciais para um mercado de bebidas mais consciente — e as destilarias artesanais brasileiras estão prontas para brindar esse novo momento.


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Por NeoFeed, adaptado para o Portal Foodbiz

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