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Setor da cachaça pressiona governo contra taxação na Reforma Tributária

O setor da cachaça voltou a demonstrar preocupação com os impactos da Reforma Tributária sobre as bebidas alcoólicas. Em manifesto divulgado nesta semana, o Instituto Brasileiro da Cachaça (Ibrac) pediu a reavaliação urgente da carga tributária aplicada ao segmento e criticou o modelo de taxação baseado no teor alcoólico das bebidas.

Segundo a entidade, que reúne mais de 90 associados entre fabricantes e associações, as mudanças aprovadas pela Câmara dos Deputados podem ampliar ainda mais a diferença tributária entre a cachaça e outras categorias, como a cerveja.

De acordo com o Ibrac, a cachaça já enfrenta atualmente uma carga de Imposto sobre Produtos Industrializados (IPI) cerca de quatro vezes maior que a da cerveja.

Debate sobre teor alcoólico ganha força

O principal ponto de preocupação do setor está na proposta de aplicação de alíquotas progressivas conforme o teor alcoólico das bebidas.

Para o Instituto, o modelo ignora padrões reais de consumo e cria distorções tributárias entre bebidas fermentadas e destiladas.

“A diferença não está no tipo de bebida alcoólica e, sim, na quantidade da bebida consumida”, argumenta a entidade no manifesto.

O Ibrac destaca que uma dose padrão de cerveja, vinho ou cachaça pode conter a mesma quantidade de álcool puro, apesar das diferenças no volume consumido.

Segundo os dados apresentados pelo setor, o brasileiro consome mais de 80 litros per capita de cerveja por ano, enquanto o consumo de destilados, incluindo a cachaça, gira em torno de 4,1 litros per capita.

“Nesse sentido, fica aqui o questionamento: se o álcool é o mesmo e o brasileiro consome muito mais cerveja que cachaça, por que a cachaça paga muito mais impostos que a cerveja?”, questiona o Instituto.

Pequenos produtores podem ser os mais afetados

O manifesto também chama atenção para os impactos da reforma sobre micro e pequenos produtores, que representam a maior parte do setor.

O Ibrac defende tratamento tributário igualitário entre todas as bebidas alcoólicas e pede um modelo diferenciado para pequenos fabricantes dentro do imposto seletivo.

Segundo a entidade, a cadeia produtiva da cachaça gera mais de 600 mil empregos diretos e indiretos no país, envolvendo desde produtores de cana-de-açúcar até bares, restaurantes, distribuidores e varejistas.

Dados do Ministério da Agricultura e Pecuária mostram que o Brasil possui mais de 10,5 mil marcas de cachaça e 1.217 cachaçarias registradas.

Potencial de exportação ainda é limitado

Apesar da relevância econômica e cultural da bebida, o setor afirma que a presença internacional da cachaça ainda é pequena quando comparada a outros destilados globais.

Enquanto o Brasil exporta cerca de 8,6 milhões de litros da bebida por ano, o México comercializa aproximadamente 399 milhões de litros de tequila para mais de 190 países.

Na avaliação do Ibrac, a redução das distorções tributárias poderia ampliar a competitividade internacional da cachaça e fortalecer toda a cadeia produtiva.

O setor também alerta para possíveis efeitos colaterais de um aumento da carga tributária, como crescimento do mercado ilegal, fechamento de empresas e perda de empregos.

Para o mercado de foodservice, bares e hospitalidade, a discussão reforça como mudanças tributárias podem impactar preços, consumo e competitividade em toda a cadeia de bebidas alcoólicas.

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