Mais de 300 empresas do setor de bebidas da Alemanha divulgaram uma carta aberta em oposição à proposta do governo alemão de criar um imposto sobre bebidas açucaradas, cuja implementação está prevista para 2028. A iniciativa reúne fabricantes de refrigerantes, cervejas, sucos, águas e engarrafadoras, incluindo gigantes como Coca-Cola, Red Bull, Capri-Sun e Carlsberg.
O documento conta com o apoio de importantes entidades do setor, entre elas a Associação Alemã de Bebidas Não Alcoólicas (WAFG), a Associação Alemã de Produtores de Água Mineral (VDM), a Associação Alemã da Indústria de Sucos de Frutas (VDF), a Associação Alemã de Cervejeiros (DBB) e a Associação de Cervejarias Privadas da Alemanha.
Segundo as empresas, a criação do imposto representaria um novo impacto financeiro para uma cadeia que já enfrenta aumento nos custos de energia, logística, embalagens e matérias-primas. O setor argumenta que a medida afetaria toda a indústria, com efeitos mais severos sobre pequenas e médias empresas, especialmente negócios familiares e produtores locais.
Outro ponto destacado na carta é o possível reflexo sobre os consumidores. As empresas afirmam que o aumento da carga tributária tende a elevar os preços das bebidas, reduzindo o poder de compra das famílias, sobretudo em um momento de inflação dos alimentos e pressão sobre o orçamento doméstico.
Setor questiona eficácia da medida
Além dos impactos econômicos, os signatários colocam em dúvida a efetividade do imposto como ferramenta para reduzir obesidade e doenças relacionadas à alimentação.
Na avaliação do grupo, não existem evidências suficientes de que a tributação sobre bebidas açucaradas seja capaz de enfrentar problemas complexos de saúde pública. A carta cita ainda o modelo adotado pelo Reino Unido, onde um imposto sobre refrigerantes entrou em vigor em 2018, argumentando que os resultados obtidos não demonstram ganhos significativos para a saúde da população.
As empresas também destacam que a própria indústria já promove avanços por meio da reformulação de produtos. Segundo o documento, dados oficiais indicam que o teor de açúcar dos refrigerantes comercializados na Alemanha caiu cerca de 15% desde 2018, resultado atribuído a iniciativas voluntárias de inovação e redução de açúcar.
Para o setor, a criação de um novo imposto pode comprometer esses esforços e reduzir a capacidade das empresas de continuar investindo em inovação.
Ao final da carta, os representantes da indústria pedem que o governo alemão reavalie a proposta. Segundo os signatários, o momento exige previsibilidade e apoio às empresas, e não a criação de novos encargos tributários.
Conteúdo adaptado de informações divulgadas pelo FoodBev Media.







