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Sai Renata, entra Fernando: a sucessão na Kopenhagen

O Grupo CRM, dono das marcas Kopenhagen e Brasil Cacau, começa 2026 com uma mudança relevante no comando. Após décadas à frente do negócio, Renata Vichi deixa o cargo de CEO, abrindo espaço para Fernando Vichi, atual COO e seu marido, assumir a liderança do grupo.

A transição acontece em um momento de consolidação. O CRM fecha 2025 como uma das maiores redes de franquias do país, com mais de 1.300 lojas, presença nacional e integração total à Nestlé — movimento que vem moldando a estratégia e a estrutura da companhia desde a aquisição.

Segundo o casal, a mudança não representa ruptura. “É uma evolução, não uma revolução”, afirmou Fernando Vichi em entrevista à EXAME. A estratégia segue, mas o estilo de liderança muda.

Renata, que ainda não definiu seus próximos passos, afirma que pretende explorar novas possibilidades profissionais, que podem passar por empreendedorismo ou atuação em conselhos. “Agora é hora de entender o que eu não quero mais, antes de escolher o que vem pela frente”, diz.

Mais do que números ou cargos, a executiva destaca a construção de pessoas como seu principal legado. “Não acredito em empresa com camisa 10. Acredito em time entrosado, cultura forte e execução disciplinada.”

Continuidade, execução e proximidade com a rede

Fernando Vichi assume a posição com um discurso centrado em execução e proximidade com as operações. Menos exposição e mais presença no dia a dia da rede fazem parte do seu estilo. “Sou menos redes sociais e mais chão de fábrica. Gosto de estar perto das equipes e franqueados, ouvindo e ajustando os planos no detalhe.”

A nova fase também prevê simplificação da estrutura e maior sinergia entre o Grupo CRM e a Nestlé Brasil, que vem apoiando ativamente a operação, inclusive com acesso ao centro global de inovação da companhia, em York, na Inglaterra.

Para 2026, o cenário inspira cautela, mas também algum otimismo. A tendência de queda no preço do cacau pode aliviar pressões recentes, enquanto medidas de estímulo à renda podem favorecer o consumo — especialmente na Brasil Cacau, marca mais conectada à classe média.

“Não controlamos o macro, mas controlamos a nossa execução”, resume Fernando. “A empresa já atravessou pandemia, inflação alta e instabilidade política. A resiliência da marca foi testada.”

Os números por trás da transição

Mesmo em um contexto desafiador, o Grupo CRM projeta crescimento de dois dígitos em 2025. Dados do Varejo 360 mostram ganho de 2,5 pontos percentuais de participação de mercado no segmento de chocolates entre janeiro e outubro, além de um aumento de 5% no ticket médio da Kopenhagen no período.

A Brasil Cacau cresce 27% no ano, enquanto a Kopenhagen avança em participação. “O que estamos colhendo agora é resultado de uma construção de anos, com disciplina operacional e consistência de marca”, afirma Renata.

A sucessão, portanto, acontece com a operação em movimento — e com planejamento já feito para datas-chave do varejo. “Páscoa e Natal de 2026 já estão desenhados”, brinca a executiva. “Ainda tem minha digital por um tempo.”

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