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Brasil vira prioridade global da Heineken em nova fase de expansão

Fábio Rezende

Com um dos maiores mercados consumidores de cerveja do mundo, o Brasil passou a ocupar um papel central na estratégia global da Heineken. Mesmo com um crescimento tímido do setor nos últimos anos, o país se consolidou como vitrine para a expansão das cervejas premium e das versões sem álcool, categorias que concentram as maiores apostas da companhia.

Dados da holding japonesa Kirin mostram que cerca de 15 bilhões de litros de cerveja são consumidos anualmente no Brasil, colocando o país atrás apenas da China e dos Estados Unidos. Ainda assim, o avanço do mercado foi de apenas 1,4% em 2024, refletindo mudanças importantes nos hábitos de consumo. É nesse cenário que empresas bem posicionadas encontram espaço para crescer.

A Heineken decidiu apostar alto. A cervejaria investiu aproximadamente R$ 2,5 bilhões na construção de uma nova fábrica em Passos, no sul de Minas Gerais, inaugurada em novembro. A unidade é a primeira aberta pelo grupo no mundo em cinco anos e reforça a importância estratégica do Brasil dentro da operação global da marca.

O foco da expansão está no segmento mais rentável do mercado. Quando a Heineken chegou ao país, há cerca de 15 anos, as cervejas premium representavam menos de 4% do consumo nacional. Hoje, esse percentual já se aproxima de 24%. Segundo Mauricio Giamellaro, presidente da Heineken no Brasil, esse movimento sustenta a decisão de ampliar os investimentos no país. Desde 2019, o Brasil é o maior mercado consumidor da marca no mundo.

A trajetória da Heineken no Brasil acompanha a própria ascensão das cervejas de maior valor agregado. Atualmente, a companhia responde por cerca de dois terços do segmento puro malte no país. Além da marca Heineken, a Amstel ganhou protagonismo por combinar posicionamento premium com preço mais acessível — e também tem o Brasil como principal mercado global.

O portfólio inclui ainda marcas como Eisenbahn e Baden Baden, voltadas a consumidores dispostos a pagar mais por cervejas com perfil semiartesanal, incorporadas após a aquisição da operação da Kirin em 2017. A nova fábrica mineira será dedicada exclusivamente à produção de Heineken e Amstel, o que deve liberar capacidade em outras unidades para ampliar a fabricação das marcas especiais.

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Fonte: Veja

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