O Grupo Heineken inaugura nesta quinta-feira (6) sua 14ª fábrica no Brasil, localizada em Passos, no sul de Minas Gerais, às margens do rio Grande. A nova unidade marca um passo estratégico da companhia no país e amplia a capacidade de produção em um momento de forte demanda por cervejas puro malte.
Com investimento de R$ 2,5 bilhões, a cervejaria tem capacidade para produzir até 5 milhões de hectolitros por ano das marcas Heineken e Amstel. Segundo Mauricio Giamellaro, CEO da Heineken Brasil, a fábrica cria as condições necessárias para a empresa crescer de forma mais consistente no segmento de puro malte — categoria que também inclui rótulos como Eisenbahn. “Estávamos sempre correndo atrás da demanda. Essa unidade ajuda a resolver a falta de produto”, afirma o executivo.
A fábrica de Passos levou dois anos e meio para ser construída e é a primeira do grupo no Brasil feita 100% do zero. A escolha da cidade levou em conta dois fatores principais: a presença da Heineken em Minas Gerais, estado onde ainda não havia produção, e a oferta de água em volume e qualidade adequados. “A disponibilidade hídrica foi decisiva”, explica Mauro Homem, vice-presidente de sustentabilidade e assuntos corporativos da companhia.
A operação começou a rodar em agosto e, na semana anterior à inauguração oficial, foi enviada para Amsterdã a primeira amostra da Heineken produzida em Passos. Todo lote fabricado no Brasil precisa passar por esse processo de validação. “Só colocamos o produto no mercado quando ele atinge exatamente os mesmos padrões da Heineken produzida na Holanda”, diz Giamellaro.
Atualmente, a unidade conta com cerca de 350 funcionários e opera com foco em sustentabilidade. A fábrica é abastecida integralmente por energia renovável, utiliza caldeiras de biomassa para geração de energia térmica e conta com um sistema de reaproveitamento que reduz em até 30% o uso de água no processo produtivo.
A expectativa é que a planta atinja sua capacidade máxima já na alta temporada, que inclui o verão e o Carnaval. Dependendo da resposta do mercado, a unidade pode dobrar sua produção no futuro.
Além da expansão industrial, o CEO da Heineken Brasil voltou a criticar práticas do mercado cervejeiro, especialmente os contratos de exclusividade firmados por concorrentes com bares e grandes eventos. Para Giamellaro, esse modelo prejudica a concorrência, sobretudo em um mercado altamente concentrado. “Não há problema em vender cervejas que não sejam puro malte. O problema é cobrar como se fossem”, afirma.
A relevância do debate é ainda maior no canal de bares, responsável pelas maiores margens de lucro do setor. Enquanto a Heineken detém cerca de 48,4% de participação nos supermercados, esse número cai para 20% nos bares, onde as cláusulas de exclusividade ainda têm forte impacto.
A nova fábrica de Passos reforça o plano de crescimento da Heineken no Brasil e consolida o país como um dos mercados estratégicos do grupo no mundo — movimento que o Portal Foodbiz segue acompanhando de perto.







