A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) anunciou, nesta semana, a suspensão da comercialização de alguns suplementos alimentares vendidos no Brasil. A decisão reforça a importância de atenção redobrada por parte dos consumidores e do próprio setor de alimentos e bebidas, especialmente em um mercado que cresce impulsionado por promessas de saúde, desempenho e bem-estar.
Segundo a Anvisa, os produtos foram retirados do mercado após a identificação de ingredientes que ainda não passaram por avaliação adequada de segurança, além do uso de alegações de benefícios à saúde sem comprovação científica reconhecida. Essas irregularidades, de acordo com o órgão, podem representar riscos relevantes à saúde dos consumidores.
Entre as empresas afetadas está a Mushin Serviços e Comércio no Geral. Três produtos da linha Fantastic Oat tiveram a comercialização e o consumo suspensos: as versões Frutas Vermelhas, Banana e Caramelo e Maçã e Canela. Além da suspensão, a Anvisa determinou o recolhimento imediato dos itens.
De acordo com a agência reguladora, os produtos eram divulgados como contendo extrato de cogumelo rico em vitamina D — ingrediente que ainda não teve sua segurança aprovada para uso em suplementos alimentares. Também foram identificadas alegações como redução do colesterol LDL e controle da glicemia, sem respaldo científico validado.
Outra empresa atingida pela fiscalização foi a Cycles Nutrition. Três suplementos da marca — Recover, Shot Ritual e Relax Ritual — tiveram a fabricação, comercialização, distribuição, importação, divulgação e consumo proibidos em todo o território nacional. Os produtos são fabricados pela Sylvestre Indústria e Comércio de Insumos Alimentícios, e também deverão ser recolhidos do mercado.
Segundo a Anvisa, esses suplementos continham ingredientes cuja segurança não foi avaliada para uso em suplementos alimentares. A ausência dessa análise impede a confirmação de que o consumo seja seguro, o que, na avaliação do órgão, pode expor os usuários a riscos considerados graves.
Orientações da Anvisa e posicionamento das empresas
Diante das suspensões, a Anvisa orienta que consumidores interrompam imediatamente o uso dos produtos proibidos e acompanhem comunicados oficiais. O órgão recomenda verificar se os suplementos estão devidamente regularizados, desconfiar de promessas amplas ou rápidas de benefícios à saúde e buscar orientação profissional antes de iniciar o consumo.
A agência reforça que nem todo produto comercializado como suplemento é, de fato, autorizado ou seguro, e que a fiscalização é um instrumento essencial para a proteção da saúde pública.
Em nota, a Mushin afirmou acreditar que houve uma interpretação equivocada da legislação e declarou que o ingrediente citado teria sido aprovado em 2023, informando que já adota medidas legais para esclarecimento do caso. Já a Cycles Nutrition declarou utilizar ingredientes de origem vegetal e de frutas, amplamente empregados no setor, e afirmou estar apresentando estudos e documentos técnicos à Anvisa.
O tema reforça um debate cada vez mais presente no mercado de alimentos, suplementos e foodservice: o equilíbrio entre inovação, comunicação responsável e conformidade regulatória — assunto que também aparece com frequência nas análises e conteúdos do Portal Foodbiz.







