A categoria de sorvetes vive uma fase de transformação no varejo supermercadista brasileiro. Antes fortemente associada à sazonalidade, hoje ela amplia suas ocasiões de consumo, incorpora valor agregado e se consolida como um importante motor de giro no ponto de venda. Para 2026, inovação, premiumização, experiências sensoriais e conexão emocional com o consumidor estão no centro das estratégias das indústrias.
Dados da Associação Brasileira do Sorvete e Outros Gelados Comestíveis (Abrasorvete) indicam que o consumo médio no Brasil é de 9,1 litros por pessoa ao ano, considerando todos os formatos. Do total, 54,8% dos consumidores compram sorvetes em supermercados, reforçando a relevância do autosserviço para o crescimento da categoria.
Para a Froneri Brasil, detentora de marcas como Nestlé, Lacta, Garoto, Oreo, Fini e Nobrelli, o canal é estratégico. “Os supermercados são fundamentais para ampliarmos o consumo per capita no País. Com o aumento da frequência de visitas às lojas, o autosserviço se tornou essencial para lançamentos e ativações de marcas já consolidadas”, afirma Ismar Trevisan, diretor de Vendas da Froneri Brasil.
Segundo o executivo, as vendas ainda se concentram em sabores tradicionais — como napolitano, flocos, creme e chocolate — especialmente em embalagens de 1,5 litro, com maior consumo nos fins de semana, feriados e ocasiões familiares. “Esse segmento é fundamental para mantermos a liderança na categoria Take Home, que engloba potes e multipacks”, destaca.
Na Rochinha, a percepção é de maior estabilidade ao longo do ano, mesmo com o clima ainda exercendo influência. “A venda de sorvetes nos supermercados deixou de ser apenas sazonal e passou a apresentar consumo mais recorrente”, afirma Adriane Azevedo, CMO da empresa. A marca registra crescimento superior a 20% em volume e faturamento, além da expansão da base de clientes, reforçando o papel da categoria como porta de entrada no autosserviço.
Gourmetização redefine o consumo
Nos últimos anos, o setor passou por uma mudança significativa, impulsionada pela busca do consumidor por maior qualidade percebida, ingredientes diferenciados e experiências mais sofisticadas.
Na Froneri, a estratégia passa por transformar marcas consagradas de outras categorias em novas experiências. “Com marcas como KitKat, Fini, Moça e Oreo, levamos ao consumidor uma proposta indulgente e diferenciada”, explica Trevisan.
Já na Rochinha, a gourmetização caminha junto com a valorização da brasilidade. Atualmente, 73% do portfólio é composto por produtos com fruta de verdade, com destaque para o coco, presente em diferentes linhas. “Pistache e framboesa siciliana, lançados em 2025, tiveram excelente aceitação e ampliaram nossa presença em ocasiões mais indulgentes”, afirma Adriane.
Esse equilíbrio entre tradição e inovação também aparece nos lançamentos previstos para 2026, como coco com abacaxi, cupuaçu com castanha de caju e a expansão da linha Brownie do Luiz, que chega com nova identidade no ponto de venda.
Na Perfetto, o autosserviço responde por cerca de 60% das vendas da operação, com forte presença do consumo doméstico. “Há uma busca crescente por qualidade nos alimentos em geral, e o sorvete acompanha esse movimento”, afirma Eduardo Dalcin, diretor de Marketing da Perfetto. “O consumidor quer encontrar no supermercado um padrão próximo ao dos produtos artesanais.”
Para José Vicente Mazzarella, CEO e fundador da Sorvetes Los Los, o futuro da categoria passa pela combinação entre prazer e identidade. “O consumidor continua querendo um sorvete gostoso e indulgente, mas também quer saber de onde ele vem, quem está por trás e qual é o propósito da marca”, afirma. “Gourmetização não significa abandonar o tradicional. Os sabores afetivos seguem relevantes, mas em versões mais bem executadas, cremosas e intensas.”
Entre os produtos mais consumidos da Los Los estão Ovomaltine, Doce de Leite Aviação e 7 Belo, que combinam memória afetiva e qualidade. Ao mesmo tempo, a marca investe em referências internacionais, como Chocolate Dubai e Speculoos, que exploram ingredientes, texturas e narrativas culturais.
Com um consumo ainda inferior ao de mercados mais maduros, a Abrasorvete avalia que o Brasil tem amplo potencial de crescimento. A entidade trabalha com a meta de ampliar em 50% o consumo de sorvete no País nos próximos dez anos, apoiada na diversificação do portfólio, na inovação e no fortalecimento da indústria nacional.
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Conteúdo Supervarejo adaptado para o portal Foodbiz







