Quando o consumidor insiste em chamar sua marca de outro nome, você corrige — ou escuta?
A OXXO escolheu escutar.
Após reunir mais de 15 mil votos em uma consulta pública, a rede mexicana de conveniência oficializou o uso do apelido XOXO em sua comunicação no Brasil. A decisão nasce de um problema real: a dificuldade generalizada dos brasileiros em pronunciar corretamente o nome da marca.
Entre “Ó-cho”, “Ó-xo” e outras variações criativas, o ruído já havia virado meme nas redes sociais. Em vez de investir em campanhas educativas para padronizar a pronúncia, a empresa fez o movimento inverso: transformou o erro em estratégia.
Importante destacar: o nome jurídico e a identidade global permanecem OXXO. A mudança acontece na camada de comunicação local, incorporando XOXO em campanhas e interações direcionadas ao público brasileiro.
A escolha não foi unilateral. Ao abrir votação e validar o apelido mais adotado espontaneamente, a marca cria senso de pertencimento. O consumidor não apenas participa da decisão — ele se reconhece nela.
Do ponto de vista estratégico, é um case claro de localização cultural por adoção, não por imposição. A marca absorve o comportamento orgânico do mercado e o transforma em ativo de conexão emocional.
Há ainda um ganho simbólico relevante. “XOXO” carrega, no universo digital, a associação com “hugs and kisses”, ampliando o campo semântico da marca para algo mais leve, afetivo e socialmente compartilhável.
No fim, o que poderia ser visto como falha de branding virou plataforma de engajamento. A conversa virou votação. A votação virou notícia. E a notícia virou campanha.
Em mercados altamente competitivos, onde expansão física precisa vir acompanhada de relevância cultural, a decisão da OXXO mostra que adaptar-se pode ser mais poderoso do que insistir.
Fonte: portal publicitario







