A Nestlé Brasil está projetando um crescimento relevante nas exportações de café solúvel em 2026 — e o movimento diz muito sobre o momento global da categoria.
Impulsionada pela queda no preço internacional do café verde, a companhia estima um aumento de 27% nas exportações, com volume superior a 20,2 mil toneladas ao longo do ano. O cenário favorece a demanda internacional e reposiciona o Brasil não só como potência agrícola, mas também como hub industrial estratégico dentro da cadeia global do café.
O protagonismo desse avanço está concentrado na fábrica de Araras (SP), responsável pela produção de Nescafé tanto para o mercado nacional quanto para mais de 50 países. Entre os principais destinos estão Argentina, Canadá, Guatemala e Arábia Saudita. O produto chega a esses mercados em diferentes formatos — como sachês, vidros e latas já prontos para o varejo — além do modelo bulk, em que o café é enviado a granel para envase em outras unidades da Nestlé no exterior.
Mais do que volume, o que chama atenção é o papel da unidade brasileira na estratégia global da companhia. Considerada uma das mais competitivas do mundo dentro do portfólio de Nescafé, a planta de Araras reúne tecnologias avançadas de produção e se consolida como um dos principais polos exportadores da marca.
Esse posicionamento reforça uma mudança importante na dinâmica do setor: o Brasil, tradicionalmente reconhecido pela qualidade do café verde, ganha cada vez mais relevância também na industrialização e agregação de valor ao produto.
Tecnologia como motor de competitividade
A operação em Araras é um bom exemplo de como a indústria do foodservice e de bens de consumo vem evoluindo com base em tecnologia. A unidade integra soluções avançadas de automação e inteligência artificial para garantir eficiência e padronização em larga escala.
Entre os destaques está o uso de IA no Controle Avançado de Processo (APC), que monitora variáveis como torra, umidade e coloração em tempo real. Isso permite ajustes imediatos na produção e reduz riscos operacionais, elevando o nível de consistência do produto final.
Além disso, a fábrica já incorpora ferramentas de IA generativa para análises preditivas e relatórios de tendências, somadas a tecnologias típicas da Indústria 4.0, como IoT, machine learning, big data, cloud computing, robótica autônoma e realidade aumentada.
O movimento acompanha um ciclo mais amplo de investimento: em 2025, a Nestlé anunciou um aporte de cerca de R$ 1 bilhão até 2028 para modernização e expansão da unidade.







