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Índice global mede eficiência no uso da água na indústria

Nova metodologia estreia com projeto-piloto em bebidas e cervejarias e busca apoiar empresas na comparação de desempenho, redução de riscos e avanço das metas de sustentabilidade

A gestão da água vem ganhando espaço cada vez mais estratégico nas empresas, especialmente em setores intensivos no uso desse recurso, como alimentos e bebidas. Nesse contexto, a Ecolab e a Carbon Disclosure Project (CDP) anunciaram o lançamento do Water Use Efficiency Index, um índice global criado para ajudar companhias a medir e comparar a eficiência hídrica de suas operações.

A proposta é transformar dados de transparência ambiental em indicadores práticos de desempenho, fortalecendo a agenda ESG e oferecendo mais apoio à tomada de decisão corporativa. Na prática, o índice permite que empresas entendam como estão posicionadas em relação aos melhores resultados do mercado e identifiquem oportunidades de melhoria no uso da água.

A primeira aplicação da metodologia acontece em um projeto-piloto voltado às indústrias de bebidas e cervejarias, segmentos altamente dependentes de água e com forte relevância econômica no Brasil. Segundo os dados divulgados, as operações mais eficientes na produção de refrigerantes utilizam entre 1,2 e 1,4 litro de água por litro de produto, enquanto a média do setor fica entre 1,5 e 1,8 litro por litro produzido. No caso das cervejarias, as plantas mais eficientes operam com 1,4 a 2,0 hectolitros de água por hectolitro de cerveja, diante de uma média entre 2,0 e 3,0 hL/hL.

Esses ganhos de eficiência ganham ainda mais relevância quando se observa o peso da cadeia cervejeira no país. De acordo com o texto-base, o setor responde por 2,2% do PIB brasileiro e registrou produção de 15,34 bilhões de litros em 2025, segundo o Sindicerv. Nesse cenário, reduzir o consumo de água pode gerar impactos relevantes tanto do ponto de vista ambiental quanto da competitividade industrial.

O novo índice combina duas bases de dados: as mais de 10 mil divulgações corporativas anuais sobre uso da água reunidas pelo CDP e a experiência operacional da Ecolab em instalações de clientes em 170 países. A ideia é criar parâmetros de referência que ajudem empresas a avaliar seu desempenho diante dos líderes do setor e a estruturar estratégias mais eficientes de gestão hídrica. A parceria foi apresentada durante o Fórum Econômico Mundial, em Davos.

Para Bruno Bellini, gerente sênior global de contas na Ecolab, a água deixou de ser apenas um tema ambiental e passou a ocupar papel central na agenda de negócios. Isso porque parte relevante da energia usada na manufatura está ligada ao bombeamento, aquecimento e tratamento da água, o que faz com que ganhos de eficiência hídrica também se traduzam em redução de custos e produtividade. Segundo ele, somente em 2025 a empresa contribuiu para a economia de cerca de 1,38 bilhão de litros de água no Brasil junto a seus clientes.

A expectativa é que o Water Use Efficiency Index ajude a acelerar a adoção de padrões globais de eficiência hídrica e amplie sua aplicação para outros setores industriais nos próximos anos. A iniciativa surge em um momento em que a pressão sobre os recursos hídricos tende a crescer. Segundo dados citados no material, a demanda global por água pode superar a oferta sustentável em cerca de 40% até 2030, enquanto mais da metade do PIB mundial depende direta ou indiretamente de acesso confiável à água.

O tema também é especialmente sensível para cadeias como agricultura, alimentos e bebidas, responsáveis por cerca de 70% da retirada global de água doce. Ao mesmo tempo, novas frentes tecnológicas, como a expansão da inteligência artificial e dos data centers, tendem a ampliar a pressão sobre água e energia nos próximos anos. Nesse contexto, evitar desperdícios e ampliar a eficiência passa a ser uma medida não apenas ambiental, mas também econômica e estratégica.

No Brasil, a atuação da Ecolab em 2025 também trouxe resultados mensuráveis. Segundo a empresa, suas soluções de gestão hídrica ajudaram clientes a alcançar uma economia total de água avaliada em cerca de R$ 15,6 milhões, equivalente aos 1,38 bilhão de litros preservados. Entre as tecnologias utilizadas estão o 3D TRASAR, sistema de monitoramento em tempo real da qualidade e do uso da água, e a plataforma ECOLAB3D™, que usa análise de dados para otimizar operações e identificar desperdícios.

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