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Fim da escala 6×1 avança no Congresso e acende alerta sobre impactos econômicos

A discussão sobre o fim da escala de trabalho 6×1 — modelo que prevê seis dias trabalhados para um de descanso — ganhou força no Congresso Nacional nas últimas semanas. Segundo editorial publicado pelo O Globo, o avanço de propostas sobre o tema ocorre em meio a um contexto político sensível, com a proximidade das eleições.

Na última semana, a Comissão de Constituição e Justiça (CCJ) da Câmara dos Deputados aprovou o andamento de duas Propostas de Emenda à Constituição (PECs) que propõem mudanças significativas na jornada de trabalho no país. Paralelamente, o governo federal também apresentou um projeto de lei sobre o tema com pedido de urgência, o que acelerou o debate.

Atualmente, a legislação brasileira permite jornadas de até 44 horas semanais, distribuídas em até oito horas diárias, dentro da escala 6×1. As propostas em discussão sugerem uma redução para 36 horas semanais, com diferentes formatos: uma prevê cinco dias de trabalho e dois de descanso, enquanto outra limita a jornada a no máximo quatro dias trabalhados por semana — ambas sem redução salarial.

De acordo com o editorial do O Globo, mudanças dessa magnitude levantam preocupações sobre possíveis efeitos econômicos, como aumento de custos operacionais para empresas, impactos no nível de emprego e pressão inflacionária. O texto também aponta que a adoção de jornadas mais curtas em outros países esteve historicamente associada a ganhos prévios de produtividade — um cenário ainda desafiador no Brasil.

Outro ponto destacado é que diferentes setores já operam com modelos variados de jornada, o que pode fazer com que a mudança tenha impacto direto sobre apenas uma parcela dos trabalhadores formais, ao mesmo tempo em que poderia incentivar a informalidade em alguns segmentos.

O debate deve avançar nas próximas semanas, com a criação de uma comissão especial na Câmara antes da votação em plenário. A discussão ocorre em um momento de forte atenção para temas trabalhistas e seus reflexos na economia, especialmente em setores intensivos em mão de obra, como o foodservice.

Conteúdo publicado originalmente pelo jornal O Globo

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