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FoodBiz

Leite: Produção cresce, mas preços devem seguir pressionados no 2º semestre

Mesmo com o aumento da produção de leite no Brasil e em importantes mercados globais, os preços da matéria-prima não devem registrar uma queda significativa ao longo do terceiro trimestre de 2026. A avaliação é da consultoria StoneX, que aponta uma combinação de demanda aquecida, riscos climáticos e desafios sanitários como fatores que devem sustentar as cotações nos próximos meses.

No Brasil, o terceiro trimestre representa a transição entre o período de maior oferta e a entressafra. Enquanto os estados da Região Sul ainda mantêm um ritmo elevado de produção, impulsionado pelas culturas de inverno e por condições climáticas favoráveis, outras regiões já começam a enfrentar redução na disponibilidade de leite.

Segundo a StoneX, a captação nacional cresceu 2,6% no primeiro trimestre de 2026 em relação ao mesmo período do ano anterior — que já havia registrado um volume recorde. Apesar disso, o avanço perdeu força na comparação com o quarto trimestre de 2025, quando a alta foi de 8%.

Para a consultoria, a menor rentabilidade enfrentada pelos produtores na segunda metade de 2025 ainda deve impactar a atividade ao longo deste ano, limitando uma expansão mais acelerada da produção.

Demanda por proteínas mantém mercado aquecido

Mesmo diante de uma oferta mais robusta, a demanda continua sendo um dos principais sustentos para os preços do leite.

De acordo com a StoneX, o consumo global de proteínas segue resiliente, ajudando a equilibrar o mercado. Embora parte dos importadores tenha reduzido o ritmo das compras após recompor estoques no primeiro semestre, a procura permanece suficiente para impedir uma queda mais expressiva das cotações.

Entre os fatores que sustentam os preços estão:

  • demanda acima do esperado no segundo trimestre;
  • consumo consistente de proteínas;
  • riscos climáticos associados ao El Niño;
  • possíveis impactos de doenças sanitárias sobre a produção.

Por outro lado, a consultoria destaca que a oferta elevada entre os principais exportadores, estoques elevados de manteiga na Europa e a postergação de novas compras por parte de importadores podem limitar novas altas.

Cenário internacional segue em equilíbrio

Nos Estados Unidos, a produção de leite continua crescendo, embora em ritmo mais moderado. A StoneX destaca que a rentabilidade permanece elevada, favorecida pelos preços do leite próximos ao ponto de equilíbrio e pelos ganhos obtidos com a comercialização de animais.

Na Europa e no Reino Unido, a oferta também avança, mas enfrenta preocupações crescentes relacionadas ao clima mais quente e seco, além do risco de doenças como Língua Azul (Bluetongue) e Febre Aftosa.

Já na Nova Zelândia, a safra 2025/26 encerrou com crescimento estimado de 4,4%, o maior da década, impulsionado pelas boas condições climáticas e pela rentabilidade dos produtores. No entanto, a StoneX alerta que o país permanece altamente dependente das condições climáticas, especialmente dos possíveis efeitos do El Niño.

Impacto para a cadeia de foodservice

Para operadores de foodservice, a perspectiva é de manutenção da pressão sobre custos de categorias que dependem diretamente do leite e de seus derivados, como queijos, manteiga, creme de leite, sobremesas e bebidas lácteas.

Sem expectativa de uma queda significativa nos preços da matéria-prima no curto prazo, restaurantes, padarias, cafeterias, pizzarias e confeitarias tendem a continuar buscando ganhos de eficiência, renegociação com fornecedores e revisão de cardápios para preservar margens ao longo do segundo semestre.

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