Iogurte, kefir, kimchi, chucrute e tempeh estão cada vez mais presentes na alimentação de consumidores interessados em saúde intestinal. Impulsionados pelo avanço das pesquisas sobre a microbiota e pela busca por hábitos mais saudáveis, os alimentos fermentados vêm conquistando espaço no mercado. Especialistas, porém, alertam que nem todo produto rotulado como fermentado oferece os mesmos benefícios.
Embora existam evidências de que esses alimentos podem contribuir para o equilíbrio da microbiota intestinal e favorecer a digestão, ainda não há consenso científico sobre a quantidade ideal de consumo nem sobre quais produtos entregam os melhores resultados.
Fermentação ajuda a preservar alimentos e pode favorecer o intestino
A fermentação é um processo natural em que bactérias e leveduras transformam os alimentos, alterando sua composição e contribuindo para sua conservação.
Segundo especialistas, esse processo também pode beneficiar a saúde intestinal ao facilitar a digestão e favorecer o equilíbrio da microbiota.
“Estamos fazendo isso há séculos e só descobrimos mais recentemente que isso realmente ajuda a saúde do nosso intestino”, afirma a gastroenterologista Lisa Ganjhu, da NYU Langone Health.
Entre os alimentos tradicionalmente fermentados estão iogurte, kefir, kimchi, chucrute, tempeh e preparações típicas de diferentes culturas ao redor do mundo.
Nem todo alimento fermentado é sinônimo de saúde
Apesar da popularidade crescente, especialistas destacam que a fermentação, por si só, não torna um alimento saudável.
Produtos como cerveja e vinho também passam por fermentação, mas não são considerados fontes relevantes de probióticos. Além disso, alimentos ultraprocessados que utilizam o apelo da saúde intestinal como estratégia de marketing devem ser analisados com cautela.
A recomendação é priorizar alimentos fermentados minimamente processados e verificar nos rótulos a presença de culturas vivas, característica importante para quem busca os benefícios associados aos probióticos.
Benefícios vão além dos probióticos
Os pesquisadores explicam que os alimentos fermentados podem atuar de duas formas: oferecendo microrganismos vivos que ajudam a equilibrar a microbiota e promovendo transformações na composição dos alimentos durante a fermentação, tornando alguns nutrientes mais disponíveis ao organismo.
Mesmo produtos que passam por aquecimento, como o pão de fermentação natural, podem manter parte desses benefícios, ainda que os microrganismos vivos sejam reduzidos durante o preparo.
Consumo deve fazer parte de uma dieta equilibrada
Especialistas recomendam incluir diferentes tipos de alimentos fermentados de forma regular, sempre associados a uma alimentação rica em fibras e prebióticos, que servem de alimento para as bactérias benéficas do intestino.
Para algumas pessoas, principalmente aquelas com doenças intestinais ou imunidade comprometida, a introdução desses alimentos deve ocorrer com orientação profissional.
Também é comum que o aumento do consumo provoque gases ou desconforto intestinal nas primeiras semanas, enquanto a microbiota se adapta.
Tendência acompanha demanda por alimentos funcionais
O crescimento do interesse por alimentos fermentados acompanha a expansão do mercado de produtos funcionais e da nutrição personalizada. Para a indústria de alimentos e o foodservice, a tendência abre espaço para novos produtos, cardápios e experiências voltadas ao bem-estar, desde que apoiados em informações científicas e não apenas em apelos de marketing.
À medida que consumidores passam a buscar alimentos associados à saúde intestinal, cresce também a importância da transparência sobre ingredientes, processos de produção e benefícios efetivamente comprovados.
Fonte: G1







